Segurança no campo esbarra na falta de conectividade

Segurança no campo esbarra na falta de conectividade

Após testes com internet via satélite, setor agropecuário cobra investimentos para ampliar o contato entre produtores e forças de segurança.

Testes com internet via satélite foram realizados em 2025. Foto: Sistema Faep.
WhatsApp
Telegram
Facebook
Email
LinkedIn

Curitiba (PR) — Em um estado que figura entre os maiores produtores de alimentos do país, milhares de agricultores e pecuaristas continuam enfrentando dificuldades para acionar a polícia em situações de emergência. A falta de conectividade em áreas rurais voltou ao centro do debate após o Sistema FAEP cobrar do Governo do Paraná a implantação de internet via satélite nas viaturas da Patrulha Rural Comunitária, medida considerada essencial para aproximar produtores das forças de segurança.

A cobrança ocorre mais de um ano após o próprio governo estadual testar a tecnologia em viaturas da Polícia Militar que atuam em áreas remotas das regiões de Londrina e Tamarana. Segundo a Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (Seia), os resultados foram considerados positivos. O sistema garantiu conexão estável durante o deslocamento das equipes por estradas rurais, além de permitir integração com os sistemas de segurança pública do Estado. Mesmo assim, a tecnologia ainda não foi expandida para outras regiões paranaenses.

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o problema ultrapassa a questão tecnológica e afeta diretamente a segurança de quem vive e trabalha no campo. Segundo ele, a Patrulha Rural tem papel fundamental na proteção das comunidades rurais, mas a ausência de sinal de internet ou telefonia em muitas localidades dificulta o contato entre produtores e policiais justamente nos momentos em que a resposta rápida se torna mais necessária.

“O trabalho da Patrulha Rural é essencial para manter a segurança no meio rural do Paraná, e as estatísticas comprovam isso. Porém, não podemos ignorar que a falta de comunicação em regiões sem cobertura de internet segue sendo um problema. Dessa forma, o produtor não consegue contato com o efetivo policial quando precisa”, afirma.

A situação é conhecida por agricultores de diferentes regiões do estado. Em Tamarana, no Norte do Paraná, o produtor Luciano Choucino relata que as dificuldades persistem mesmo em propriedades relativamente próximas da área urbana. O município possui cerca de 800 quilômetros de estradas rurais, muitas delas sem cobertura adequada de comunicação.

“O governo faz muitos projetos, mas a prática que a gente vê é outra. Tem muita propriedade ao longo de toda a extensão do município que precisa ter comunicação”, diz.

O impasse evidencia uma contradição apontada pelo setor produtivo. Embora os testes tenham comprovado a viabilidade da internet via satélite para as viaturas da Patrulha Rural, a implantação definitiva da tecnologia segue sem prazo anunciado. A Seia informou que o relatório técnico foi encaminhado à Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), responsável por decidir sobre eventual contratação do serviço.

Em nota, a Sesp informou que a Diretoria de Tecnologia e Inovação da Polícia Militar realiza levantamentos para aquisição de equipamentos destinados a diferentes modalidades de policiamento, incluindo Patrulha Rural, Polícia Ambiental, Polícia Rodoviária e Batalhão de Fronteira.

Para o Sistema FAEP, no entanto, o atendimento às comunidades rurais precisa ser tratado como prioridade. A entidade argumenta que a falta de conectividade é mais intensa fora dos centros urbanos e afeta diretamente um setor responsável por grande parte da geração de emprego, renda e riqueza do Paraná.

Atualmente, o programa Patrulha Rural Comunitária reúne 37.362 propriedades cadastradas e mais de 24 mil certificações emitidas. O cadastro tem sido apontado como uma ferramenta importante para fortalecer a relação entre os produtores e as forças de segurança, mas representantes do setor afirmam que o esforço perde eficácia quando a comunicação continua sendo um obstáculo.

“Seguimos fazendo um trabalho de articulação intenso para mobilizar agricultores e pecuaristas. Porém, precisamos desse respaldo do Estado com investimento em tecnologia para melhorar a comunicação entre a polícia e os produtores rurais. Sem isso, parte desse trabalho perde efetividade”, afirma Meneguette.

Mais do que uma discussão sobre internet ou equipamentos, o debate envolve uma questão cotidiana para quem vive no campo: a possibilidade de pedir ajuda quando necessário. Em muitas regiões do Paraná, a distância entre as propriedades e os centros urbanos já impõe desafios. Quando a comunicação também falha, produtores ficam ainda mais vulneráveis diante de situações de emergência, furtos, invasões e outros problemas que exigem resposta rápida das forças de segurança.


Deixe um comentário

Notícias relacionadas

Siga-nos

Últimas Notícias

Rolê na Fronteira

Turismo

Câmbio Fronteira

Dólar (USD) Carregando...
Peso Argentino Carregando...
Guarani (PYG) Carregando...
Atualização --

Inscreva-se em nossa NEWSLETTER