Nova York, EUA – A China subiu o tom na tribuna da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas neste sábado (26) ao contestar as ações dos Estados Unidos no Oriente Médio e na América Latina. Em discurso perante líderes globais, o vice-presidente chinês, Han Zheng, defendeu a soberania dos países do Golfo e exigiu que Washington encerre as ameaças militares contra Cuba, além de cobrar o fim imediato do bloqueio econômico aplicado à ilha caribenha.
Embora tenha evitado citar o governo norte-americano de forma explícita, a fala de Han direcionou recados claros ao que chamou de “país em questão”. As declarações marcam uma ruptura direta com o tom diplomático exibido dias antes em Washington, quando o presidente Donald Trump recebeu o líder chinês Xi Jinping na Casa Branca com sobrevoos militares e jantar de gala.
“Grandes potências devem assumir responsabilidades especiais na salvaguarda da paz e da segurança internacionais, e devem liderar o cumprimento das regras, a defesa do Estado de Direito e a prática do que é correto”, afirmou o vice-presidente. Ele acrescentou que Pequim defende a soberania e a integridade dos países do Oriente Médio, inclusive os da região do Golfo.
A posição contrasta com a ofensiva que os Estados Unidos mantêm contra o Irã desde fevereiro, mês em que forças norte-americanas e israelenses executaram bombardeios conjuntos em território iraniano. Na sexta-feira (25), o embaixador dos Estados Unidos na China revelou que Trump havia advertido Xi a não fornecer suporte a Teerã, assegurando ter recebido garantias do líder chinês. A advertência ocorreu após denúncias de que Pequim teria repassado lançadores portáteis de mísseis antiaéreos aos iranianos e auxiliado o país a contornar sanções sobre o petróleo.
Na questão caribenha, Han foi categórico ao cobrar a suspensão das sanções que asfixiam a população cubana. “A China insta o país em questão a cessar imediatamente o uso de ameaça de força contra Cuba e a levantar, imediata e totalmente, o bloqueio e as sanções contra Cuba”, declarou.
A pressão exercida pelos Estados Unidos desde janeiro barra a importação de combustíveis pela ilha, medida que levou a rede elétrica cubana a um colapso completo no início deste mês. Com infraestrutura antiga e sem diesel para alimentar as usinas térmicas, milhões de cubanos enfrentam apagões diários prolongados e escassez generalizada de serviços básicos.
Ao concluir seu pronunciamento na ONU, Han posicionou a China como defensora das nações do Sul Global, afirmando que todos os países têm peso igual na comunidade internacional e que decisões globais devem nascer do diálogo conjunto, e não de imposições de força.



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