*Por Amilton Farias
Ao nos despedirmos de mais um ano e recebermos um novo ciclo, é impossível não voltar os olhos para aqueles que mais sofreram ao longo dos últimos meses.
Meu primeiro pensamento dirige-se às vítimas das enchentes que atingiram diversas regiões do Brasil, deixando famílias desabrigadas, destruindo comunidades inteiras e expondo, mais uma vez, a fragilidade das políticas públicas relacionadas ao planejamento urbano e à preservação ambiental.
Os desastres que testemunhamos não podem ser tratados como fatalidades isoladas. Eles revelam escolhas políticas, econômicas e sociais que historicamente colocam o lucro acima da vida, ignorando os limites da natureza e os impactos das ações humanas sobre o meio ambiente.
O rompimento da barragem em Mariana, ocorrido recentemente, tornou-se um símbolo doloroso dessa realidade. Suas consequências ultrapassaram cidades, estados e fronteiras, deixando marcas profundas na população e nos ecossistemas atingidos.
Também dirijo minha solidariedade aos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, trabalhadores e trabalhadoras que continuam suportando o peso das desigualdades sociais e econômicas presentes em nosso país. São homens e mulheres que frequentemente recebem como resposta à sua luta a exclusão, o abandono e a invisibilidade.
Que o novo ano seja um período de maior compromisso com a dignidade humana e com a construção de uma sociedade mais justa.
Estendo igualmente esta mensagem aos refugiados e migrantes espalhados pelo mundo. Milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas, suas histórias e seus países em busca de proteção, segurança e oportunidades de sobrevivência.
Muitos perderam familiares e amigos nas travessias perigosas pelo Mar Mediterrâneo ou em outras rotas marcadas pelo sofrimento humano. Que nunca lhes faltem esperança, acolhimento e respeito. Nenhum ser humano deve ser tratado como descartável.
Que 2016 também seja um ano de enfrentamento à intolerância em todas as suas formas.
A intolerância religiosa, o racismo, a xenofobia, a discriminação étnica e os diversos mecanismos de exclusão social continuam alimentando conflitos e ampliando o sofrimento de milhões de pessoas. É necessário que a solidariedade ocupe o espaço do preconceito e que o diálogo substitua a violência.
Precisamos compreender que cuidar das crianças, dos jovens e dos idosos significa cuidar do próprio futuro da humanidade. Não existe desenvolvimento verdadeiro quando os mais vulneráveis são abandonados.
Da mesma forma, é preciso refletir sobre o valor que atribuímos às relações humanas. O amor ao próximo não pode ser menor que a busca por riqueza, poder ou reconhecimento individual.
Vivemos em uma sociedade que frequentemente incentiva o individualismo e a competição. No entanto, a construção de uma vida digna depende da capacidade de convivermos em comunidade, reconhecendo a humanidade existente em cada pessoa.
Também não podemos ignorar a existência de milhões de trabalhadores submetidos a condições degradantes de trabalho em diferentes partes do mundo. Crianças, homens e mulheres continuam sendo explorados em atividades econômicas que priorizam o lucro acima dos direitos humanos.
Combater essa realidade é uma responsabilidade coletiva.
Por fim, acredito que o mundo somente será verdadeiramente novo quando formos capazes de renovar nossa própria consciência. A superação do egoísmo, da indiferença e da intolerância talvez seja o maior desafio do nosso tempo.
Que em 2016 possamos ampliar nossa responsabilidade com o meio ambiente, fortalecer a solidariedade entre os povos e reafirmar o compromisso com os direitos humanos.
Que a esperança caminhe lado a lado com a ação.
Feliz 2016
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*Amilton Farias é jornalista e editor-chefe do Portal Fronteira Livre
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Este texto reflete a opinião institucional do portal Fronteira Livre sobre o tema abordado.




















