Foz do Iguaçu, PR – Usuários do Programa Tratamento Fora de Domicílio (TFD) relataram dificuldades relacionadas ao transporte, à acessibilidade e à hospedagem durante audiência pública realizada na manhã da última terça-feira (18), na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu.
O debate reuniu usuários do programa e representantes dos serviços municipais de saúde envolvidos no atendimento aos pacientes. Entre os principais pontos discutidos estiveram as condições da casa de apoio, a acessibilidade dos veículos utilizados no transporte, a fiscalização dos serviços e a busca por recursos de outras esferas de governo para reduzir os custos do município.
O Tratamento Fora de Domicílio é um programa estadual e municipal destinado a oferecer apoio logístico a pacientes que precisam realizar atendimentos especializados de saúde que não estão disponíveis em sua cidade de origem.
“Queremos entender as angústias, as demandas, esperamos que todos possam entender o que é o programa, e também entender também o andamento deste serviço.”
A representante da Secretaria Municipal de Saúde explicou que a audiência teve como objetivo ouvir as demandas dos usuários e esclarecer o funcionamento do programa.
Executivo apresenta funcionamento do TFD
Durante a audiência, representantes da Secretaria Municipal de Saúde apresentaram informações sobre o funcionamento do programa. Foram detalhados os objetivos do TFD, os serviços incluídos, os fluxos de deslocamento, a frota utilizada no transporte, a hospedagem, as especialidades atendidas, a rede de prestadores e a gestão administrativa.
Segundo os dados apresentados durante a audiência, atualmente há mais de 8 mil pacientes ativos no programa. Entre janeiro e julho de 2026, mais de 10 mil pacientes foram transportados pelo TFD.
Usuários relatam problemas de acessibilidade e transporte
Após a apresentação do Executivo, usuários do programa relataram experiências relacionadas ao atendimento recebido durante os deslocamentos e períodos de hospedagem.
Uma das usuárias pediu melhorias na acessibilidade da casa de apoio e a disponibilização de veículos adaptados para pessoas com deficiência.
“Pedimos que a casa de apoio tenha acessibilidade, van adaptada; o que mais os pacientes trazem até a gente é essa questão. Eu raramente fico em casa de apoio, pelo tanto que eu já sofri. São 29 anos que já faço tratamento, fiquei 3 anos e 2 meses sem andar. Não quero que as pessoas sofram, procurem ouvir os pacientes.”
Uma mãe e acompanhante de um paciente que utiliza o programa relatou dificuldades enfrentadas durante a busca por tratamento para o filho, que tem paralisia cerebral.
“Sou mãe solo de uma pessoa com paralisia cerebral. Fui diversas vezes na ouvidoria, e não me senti ouvida, desde sempre eu sofro e agora não tenho medo de debater sobre isso. Em diversas casas de apoio passei por situações deploráveis com meu filho, tanto no transporte, quanto em acomodação, pelo meu filho ter comorbidades.”
Outra usuária, que utiliza o TFD desde 2019, relatou problemas relacionados às condições do transporte e à acessibilidade na hospedagem.
“Sou usuária do TFD, desde 2019. Viajamos 12 horas e chegamos muito cansados devido às condições precárias do transporte. Na minha hospedagem, fui bem tratada, mas percebi que um cadeirante teria muita dificuldade na casa, pela falta de acessibilidade.”
Uma usuária também apresentou o relato de uma mãe de uma pessoa autista. Entre os problemas apontados estavam as condições de circulação e de higiene na casa de apoio, além da falta de acessibilidade em veículos.
“Estou aqui como usuária e represento uma mãe de uma pessoa autista, compartilhando o relato dela. Estou expondo aqui vários problemas identificados na casa, como corredores muito estreitos, lençóis molhados, ambulâncias que não têm acessibilidade para cadeirantes e também banheiros em situações precárias.”
Representantes dos serviços respondem aos relatos
Após ouvir as manifestações dos usuários, um representante da supervisão do TFD afirmou que acompanha as reclamações apresentadas pelos pacientes e explicou que parte das demandas está relacionada às limitações previstas nos contratos dos serviços.
“Sempre que posso respondo as reclamações. Quando cheguei ao TFD, me passaram a situação da Maria Ivone, e tentamos trabalhar do melhor jeito possível. Eu não estaria assumindo o cargo de gestão, se não fosse de meu interesse fazer o serviço humano. Tem muitas coisas que me impedem de realizar exatamente os pedidos que chegam a mim, o contrato não nos permite em muitas coisas.”
Um representante da Casa Nona Cecília respondeu aos relatos apresentados durante a audiência e explicou a situação sob a perspectiva do alojamento.
O coordenador do Transporte Sanitário da Secretaria da Saúde também se manifestou sobre as reclamações apresentadas pelos usuários e defendeu que os relatos sejam considerados para a melhoria do atendimento.
“Peço que a Casa Nona Cecília possa tirar um minuto do seu dia para acolher os relatos dos usuários, relatos que cortam o coração. Acredito que sempre pode ser feito melhor. Agradeço a todos pelas exposições e quero falar que sempre que precisarem contar com a gente, não se acanhem.”
Representantes da Secretaria Municipal de Saúde afirmaram, nas considerações finais, que as manifestações apresentadas durante a audiência serão consideradas na avaliação dos serviços oferecidos pelo programa.
“Ouvimos todas as partes e baseado nas leis, digo às usuárias que as acolhemos e enfatizo que após tudo que foi exposto, ainda assim, a Casa Nona Cecília é um serviço de qualidade, e que o TFD vai além de uma casa de apoio. Agradeço a todos os presentes pela transparência, isso ajuda a nos trazer soluções.”
A coordenação-geral do SAMU informou que estão em andamento processos para aquisição de novos equipamentos para a área da saúde.
“Estamos em andamento para comprar vários novos equipamentos para o setor da saúde, tanto para o TFD, quanto para outros estabelecimentos. É importante entendermos que além de funcionários, somos usuários e queremos que funcione, tanto quanto vocês.”
Representantes da área de Atenção às Urgências e Emergências também destacaram as particularidades de Foz do Iguaçu como cidade de fronteira e defenderam a necessidade de maior atenção e recursos para o município.
“Além de diretor de Atenção às Urgências e Emergência da Secretaria de Saúde, sou enfermeiro, e eu via essas dificuldades no dia a dia. Queremos que o Estado entenda que além de recursos, precisamos de visibilidade e que somos uma cidade de fronteira com nossas particularidades.”
A audiência pública reuniu relatos de usuários e manifestações de representantes dos serviços envolvidos no TFD. As discussões tiveram como foco as condições de transporte, hospedagem, acessibilidade e atendimento aos pacientes que precisam se deslocar para realizar tratamentos de saúde fora de Foz do Iguaçu.


















