Curitiba, PR – O primeiro confronto televisivo entre os candidatos ao Governo do Paraná, promovido pela Band Paraná, ficou marcado pelo embate direto entre o deputado estadual Requião Filho (PDT) e o ex-secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex (PSD). O evento, que contava inicialmente com a confirmação de três postulantes ao Palácio Iguaçu, teve a dinâmica alterada poucas horas antes do início devido à desistência do senador Sergio Moro (PL), que alegou que o encontro seria um “jogo combinado” entre os adversários para atacá-lo por liderar as pesquisas de intenção de voto.
Com a ausência de Moro, o debate concentrou-se no contraste de projetos para o estado: de um lado, Sandro Alex em defesa do legado e da continuidade da gestão do atual governador Ratinho Junior (PSD); de outro, Requião Filho resgatando a memória das gestões de seu pai, o ex-governador Roberto Requião, para defender uma agenda de revisão de privatizações, tarifas e políticas públicas sob o lema de “retomada”.
Um dos pontos mais acirrados do confronto envolveu a desestatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Requião Filho prometeu que, se eleito, atuará para reverter o processo de privatização e reassumir o comando da estatal. Segundo o parlamentar, a venda de ações promovida pelo governo estadual trouxe retorno financeiro insuficiente. “Recebemos uma mixaria, já gastamos mais do que recebemos e a Copel deixou de contribuir para a economia do Estado. Queremos retomar esse controle”, argumentou. Para viabilizar a medida, ele citou a possibilidade de buscar financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), alterar a legislação estadual ou acionar instâncias judiciais. Requião afirmou ainda que, caso sejam comprovadas irregularidades na operação por investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, buscará a responsabilização criminal dos envolvidos.
Sandro Alex rebatou as críticas, sustentando que os reajustes nas tarifas de energia elétrica não decorrem da mudança no controle acionário da companhia, mas sim de diretrizes e regulamentações fixadas no âmbito do governo federal.
A divergences também se estenderam ao setor de infraestrutura e concessões. Requião Filho classificou o adversário do PSD como o “pai do pedágio”, em referência ao modelo de concessões rodoviárias pactuado durante sua passagem pela Secretaria de Infraestrutura e Logística. O candidato do PDT questionou os custos do sistema e criticou a execução de grandes obras estaduais, como o projeto de engorda da faixa de areia no litoral e aspectos do projeto da Ponte de Guaratuba, embora tenha ressaltado que não é contrário à construção da ligação viária. Em resposta, Sandro Alex defendeu o pacote de obras e os investimentos em logística da atual administração, afirmando que não permitirá que o Paraná “retroceda ou pare as obras” em andamento.
Na educação, a polarização ficou evidente no debate sobre a gestão escolar e valorização dos profissionais. Sandro Alex defendeu o programa de escolas cívico-militares implementado pelo governo Ratinho Junior e prometeu expandir a modalidade para mais de 500 unidades escolares no estado. Requião Filho criticou a medida, classificando-a como uma política voltada à propaganda institucional em vez de fomento pedagógico, e prometeu rever a iniciativa. O postulante do PDT defendeu o retorno de programas de formação continuada para educadores, melhorias nas condições de trabalho e revisões salariais para a rede estadual de ensino e para as corporações da segurança pública. “Eles não investem naquilo que realmente importa dentro da polícia, que é o policial”, declarou.
Para sustentar a proposta de governo, Requião Filho apelou repetidamente a medidas adotadas nas gestões de Roberto Requião. No setor agropecuário, citou a manutenção de rodovias estaduais sem cobrança de praças de pedágio como fator de competitividade para o pequeno produtor rural escoar safras. Na área econômica, defendeu a isenção total da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre os produtos da cesta básica, atribuindo aos governos anteriores de sua família a iniciativa histórica de redução da carga tributária sobre itens de primeira necessidade.
A desistência de Sergio Moro repercutiu entre os dois participantes ao término da transmissão. Requião Filho ironizou a ausência do adversário do PL e o classificou como um “deserto de ideias”, afirmando que o candidato faltou por não dispor de propostas para o confronto direto. Sandro Alex também lamentou a decisão de Moro, lembrando que o compromisso de presença já havia sido formalmente assumido.
O calendário de transmissões eleitorais no Paraná prevê novos encontros entre os concorrentes ao governo estadual. A RIC TV (afiliada da Record) agendou seu debate para o dia 21 de setembro, às 18h. Já o debate promovido pela RPC (afiliada da TV Globo) está programado para o dia 29 de setembro.

















