Brasília, DF – O deputado federal republicano norte-americano Carlos Gimenez publicou em suas redes sociais uma montagem fotográfica em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece capturado, em alusão à recente prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos. Na imagem adulterada, Lula aparece vendado, com protetores auriculares e segurando uma garrafa de cachaça — em referência à fotografia original divulgada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no início de janeiro, quando Maduro foi levado a território americano segurando uma garrafa de água. Na legenda da publicação, o parlamentar escreveu: “O que espera… #Brasil”.
A publicação de Gimenez faz parte de uma sequência de ataques disparados pelo congressista contra o governo brasileiro nas redes sociais. Em postagens anteriores, o deputado republicano afirmou que o chefe do Executivo do Brasil vem promovendo hostilidades contra o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e argumentou que a postura de Lula dificulta a construção de uma “forte aliança” entre o Brasil e os Estados Unidos.
A investida do parlamentar norte-americano ocorre no momento em que o presidente brasileiro intensifica as críticas públicas à atuação de Marco Rubio na condução da política externa dos EUA para a América Latina. Em declaração concedida durante visita oficial ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), Lula revelou que alertou pessoalmente o presidente Donald Trump sobre o perfil do chefe da diplomacia americana.
De acordo com o presidente brasileiro, o diálogo direto com o republicano durante reunião na Casa Branca foi proveitoso e cordial, mas as tratativas bilaterais vêm sendo desfeitas ou desconsideradas por ação direta de Rubio. “Ele tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina, e que é um bolsonarista, que é o homem secretário de Estado, que é o Marco Rubio, um descendente de cubano de Miami. Odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil”, declarou Lula.
O chefe do Executivo brasileiro relatou ter sido explícito com o presidente norte-americano ao avaliar o perfil do secretário. “Eu disse pro Trump: ‘Esse moço não gosta do Brasil. Não gosta’. Ele é um anti-latino-americano, ou um latino-americano frustrado porque ele foi embora de Cuba. O avô dele, o bisavô dele, ele nunca morou em Cuba. E ele faz as coisas diferentes daquilo que a gente conversa com o Trump”, afirmou.
Tensão comercial e alegações sobre desmatamento
A crise diplomática e os ataques cruzados têm como pano de fundo a imposição, pelo governo norte-americano, de uma sobretaxa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. Lula relembrou que, durante a reunião bilateral em Washington, entregou em mãos a Trump documentos detalhados sobre a balança comercial entre os dois países e que a equipe brasileira manteve contato semanal com a Casa Branca para dar seguimento às conversas. Apesar do empenho, o governo brasileiro tomou conhecimento da imposição do novo “tarifaço” comercial por meio da imprensa, sem qualquer aviso prévio dos canais diplomáticos norte-americanos.
Marco Rubio, por sua vez, utilizou canais oficiais e redes sociais para rebater as críticas e justificar as restrições econômicas aplicadas ao comércio brasileiro. O secretário de Estado afirmou que as políticas econômicas adotadas pela gestão Lula “são prejudiciais tanto para os americanos quanto para os brasileiros” e acusou o presidente do Brasil de colocar o “próprio ego acima da realização de um acordo”.
Entre os argumentos apresentados por Washington para a aplicação das tarifas punitivas de 25% está a alegação de que o governo brasileiro não estaria atuando com firmeza no combate ao desmatamento. O presidente Lula classificou a justificativa norte-americana como “mentirosa”, apontando a contradição de a cobrança partir de uma administração cujo próprio líder desdenha publicamente das agendas de preservação e mudanças climáticas.
Lula enfatizou que nenhum país do mundo adota medidas de proteção ambiental tão rigorosas quanto o Brasil. A declaração foi respaldada pelos dados apresentados pelo Inpe durante a visita do presidente ao instituto em São José dos Campos. O balanço oficial do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), cobrindo o período de agosto de 2025 a julho de 2026, confirmou uma redução consistente na área sob alertas de desmatamento tanto no bioma Amazônia quanto no Cerrado.
















