Financiamento de veículos no Brasil atinge maior alta desde 2008

Financiamento de veículos no Brasil atinge maior alta desde 2008

Levantamento da Trillia B3 aponta 3,78 milhões de contratos formalizados de janeiro a junho, com destaque para a liderança na negociação de carros usados em todas as regiões.

Compra de veículos usados lidera concessões de crédito. Arquivo/Agência Brasil
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BRASÍLIA, DF — O número de brasileiros que recorreram ao financiamento de veículos no Brasil registrou um salto significativo nos primeiros seis meses do ano. Dados divulgados pela Trillia, plataforma de análise de dados vinculada à B3, indicam que o total de contratos saltou de 3,41 milhões para 3,78 milhões no acumulado de janeiro a junho de 2026. O resultado representa um crescimento de 10,9% na comparação com o mesmo período de 2025 e consolida o maior volume verificado para um primeiro semestre desde o ano de 2008, momento em que o mercado havia atingido o patamar de 4,23 milhões de operações.

O movimento da economia reflete diretamente a dependência da população por crédito para garantir mobilidade pessoal e meios de trabalho. No acumulado do semestre, a compra parcelada de automóveis e utilitários seminovos ou usados seguiu como o principal caminho do motorista: foram 2,38 milhões de unidades financiadas no período, ante 2,18 milhões no ano passado. Já a aquisição de veículos zero-quilômetro somou 1,39 milhão de operações, superando os 1,22 milhão registrados entre janeiro e junho de 2025.

Todas as regiões do país acompanharam a curva ascendente de crédito automotivo no semestre. O avanço mais expressivo ocorreu na Região Centro-Oeste, com expansão de 13,1%. Na sequência, aparecem o Nordeste (12,6%), o Sul (11,2%), o Sudeste (10,6%) e o Norte (4,4%).

Prazo do financiamento de veículos no Brasil estica nas concessionárias

Para conseguir encaixar as parcelas no orçamento das famílias, o consumidor precisa aceitar prazos mais longos de endividamento. No acumulado dos primeiros seis meses de 2026, o tempo médio dos contratos para automóveis e comerciais leves atingiu 47,2 meses, superando a média de 46,3 meses anotada no mesmo período do ano passado. A tendência de esticamento das prestações afetou todas as faixas de uso, mas teve destaque entre os modelos de até 3 anos de fabricação — cujo prazo médio subiu de 49,4 para 51,6 meses — e nos veículos de 4 a 8 anos de uso, que passaram de 50 para 51,3 meses de parcelamento.

Considerando apenas a categoria de comerciais leves, o mercado somou 434 mil unidades negociadas a prazo em junho de 2026, frente às 388 mil do mesmo mês de 2025, o que significa um ganho de 11,9%. No entanto, em relação a maio de 2026, houve uma oscilação negativa de 2,6%.

Quando o recorte foca os automóveis leves de passeio durante o mês de junho, percebe-se a preferência do bolso popular: a compra de novos zero-quilômetro teve queda de 3,3% em relação a junho de 2025, fechando em 112 mil unidades. Por outro lado, a busca pelos usados subiu 12,0% no mesmo período, totalizando 323 mil automóveis negociados via crédito.

Motos e veículos pesados mantêm alta do crédito na frota

O setor de duas rodas — amplamente utilizado por trabalhadores da economia de aplicativos, entregadores e autônomos — manteve o ritmo de expansão. Ao todo, 155 mil motocicletas foram adquiridas por meio de crédito em junho de 2026, alta de 5,6% perante as 147 mil do mesmo mês de 2025, embora o número tenha ficado 3,9% abaixo do total de maio de 2026. Do montante de junho, 116 mil foram motos usadas (alta anual de 5,5%) e 39 mil foram modelos novos (recuo de 2,4%).

O transporte de carga e o setor produtivo também mantiveram investimentos na renovação da frota pesada. Os financiamentos de caminhões e ônibus em junho de 2026 somaram 24 mil unidades, o que representa alta de 7,1% frente às 22 mil do ano anterior e avanço de 5,8% em relação a maio. A liderança do setor ficou com os veículos pesados novos, que alcançaram 13 mil contratos (salto de 33,2% no comparativo anual), enquanto os pesados usados somaram 11 mil unidades (crescimento de 19,9%), sinalizando a manutenção das atividades na logística de mercadorias e no transporte coletivo do país.


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