Sucessão familiar no Paraná ganha impulso com curso do FAEP

Sucessão familiar no Paraná ganha impulso com curso do FAEP

Filhos de produtores rurais em Chopinzinho aplicam novas tecnologias no manejo do gado para aumentar a produtividade e manter a sucessão familiar no Paraná.

Jovens concluem curso técnico para gerir propriedades rurais. Foto: Sistema Faep.
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CHOPINZINHO, PR — A permanência dos jovens na agricultura familiar e o fortalecimento do setor produtivo no interior do Estado ganham novos contornos a partir de políticas privadas e institucionais voltadas à qualificação técnica no campo para impulsionar a sucessão familiar no Paraná. No Sudoeste do Estado, região responsável por mais de 25% de toda a produção paranaense de leite, famílias de pequenos e médios produtores rurais contam com treinamentos especializados para garantir o planejamento e a transição geracional no comando dos negócios agrícolas.

O modelo de capacitação técnica promovido pelo Sistema FAEP busca responder a um gargalo histórico do setor produtivo: a evasão rural da juventude e a falta de preparo prático para a gestão contínua dos estabelecimentos familiares. O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, defende que a transição de comando precisa ocorrer de forma contínua e embasada no conhecimento. “Uma sucessão bem-sucedida é gradativa. E fazer bem essa transição envolve investimento em capacitação e qualificação dos jovens para conseguirem enxergar valor e futuro no campo”, declara a liderança institucional.

A aplicação prática do programa reflete na trajetória de duas gerações de agricultores do município de Chopinzinho. Há quase 24 anos, em 2002, os produtores rurais Jerri Lazari e Valdecir Antônio Dussioni integraram a sexta turma do curso de “Inseminação Artificial” da entidade. Em maio deste ano, os filhos e primos Stefani Lazari, de 25 anos, e Gustavo Dussioni, de 22 anos, concluíram o mesmo módulo técnico para assumir responsabilidades diretas no manejo da bovinocultura leiteira.

Na comunidade de Linha Gressana, a busca por aprimoramento iniciada por Jerri Lazari no passado agora se renova nas mãos da filha, que aplicou a técnica no dia seguinte ao encerramento do curso. Jerri ressalta o avanço do conhecimento repassado no interior. “Agora, pelo que minha filha conta, evoluiu bastante o método de ensino. Com certeza continua sendo uma boa formação”, avalia o pecuarista, acompanhando o preparo de Stefani para a gestão futura da terra herdada dos avós.

Stefani detalha que o domínio da biotecnologia evita perdas na produtividade e dá autonomia às mulheres no manejo produtivo. “Eu já o ajudava a fazer inseminação. Mas quando meu pai estava fora de casa ou na lavoura de soja, às vezes deixávamos passar o cio das vacas ou largávamos elas com o touro, que não é o melhor para o resultado”, relata. A jovem complementa sobre a trajetória da família no imóvel: “Era do ‘nono’, que se aposentou e passou para a minha mãe, que também ajuda. Agora, eu estou me preparando para um dia assumir”.

Capacitação garante sucessão familiar no Paraná

A dois quilômetros de distância, na propriedade da família Dussioni, Gustavo almeja expandir o volume do leite produzido. Único dos dois filhos decidido a permanecer na atividade agrícola, ele aponta a necessidade de constante atualização técnica. “Eu já ajudava a tirar o leite e tratar dos animais. Agora, com o curso, tudo vai melhorar”, afirma o jovem pecuarista. A permanência do rapaz no setor é incentivada pelo pai, Valdecir. “Pretendo buscar novos cursos, o que meu pai incentiva”, pontua Gustavo.

A sustentabilidade das políticas de apoio à bovinocultura no interior depende do aperfeiçoamento contínuo dos conteúdos pedagógicos. Meneguette ressalta a responsabilidade da entidade ao estruturar programas alinhados às demandas do agronegócio regional. “As formações que oferecemos são teóricas e práticas, ministradas por profissionais altamente qualificados, e trazem sempre as últimas atualizações de mercado”, expõe o dirigente do Sistema FAEP.

Treinamento renova sucessão familiar no Paraná

Atuando no treinamento de produtores em Francisco Beltrão desde 2002, o instrutor Francisco Romano Gaievski participou da formação das duas gerações e contabiliza a diplomação de mais de 5 mil alunos no curso, ministrado mensalmente ao longo de quase 25 anos. “Muita gente passou por essa formação e, com esse certificado, conseguiu novos serviços, sustentar famílias, gerar mais renda à propriedade, ou atuar em prefeituras e empresas privadas, no Brasil e até fora”, pontua o instrutor, reforçando o orgulho pelos resultados obtidos no campo paranaense.

Gaievski explica que o diferencial da formação é a abordagem completa de genética, novas biotecnologias, manejo e cuidados com o animal. “A maioria ainda é para atuar na própria propriedade. E, com esse perfil, temos muitos casos de pais e filhos passando pela mesma capacitação”, destaca. O especialista conclui ressaltando o impacto positivo do convívio familiar na modernização do agronegócio estadual: “Ao qualificar os jovens, estamos pensando no futuro e na viabilidade da atividade agropecuária do Estado”.


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