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Biografia: Che Guevara, vida e obra do argentino que mudou o rumo de toda uma geração

Por Amilton Farias
10/10/2021 - 02:33
em Geral
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

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Che Guevara, ou Ernesto Rafael Guevara de la Serna, nasceu em 14 de junho de 1928, em Rosário, Argentina. Ele foi um dos líderes marxistas de maior destaque na América Latina, sendo um símbolo na luta contra o capitalismo internacional durante os anos 1960. Suas viagens pela América (de bicicleta, de moto ou de carona) chamaram sua atenção para a pobreza vivida por milhões de pessoas no continente. Formado em Medicina, Che Guevara procurava atender a população mais carente.

Em 1959, ele participou com Fidel Castro na revolução que derrubou o governo de Fulgêncio Batista em Cuba. Com a formação do novo governo, Che Guevara atuou em vários cargos, como ministro da Indústria, comandante do exército cubano e presidente do Banco Nacional. Em 1965, ele iniciou várias frentes internacionais contra o capitalismo. Na Bolívia, em 1967, Che Guevara, em um combate contra as tropas do governo, foi morto. O dia da sua captura, 8 de outubro, tornou-se símbolo para muitos guerrilheiros contra a exploração capitalista.

Nascimento e juventude de Che Guevara

Apesar de ter se destacado na Revolução Cubana, Ernesto Che Guevara nasceu na cidade argentina de Rosário, no dia 14 de junho de 1928. Sua família era de classe média alta, e ele foi o primeiro de cinco filhos do casal Ernesto Guevara Lynch e Celia de la Serna. Alguns biógrafos afirmam que sua mãe era da mesma família do último vice-rei do Peru. Ele também seria da mesma família de Domingo Martínez de Irala, explorador espanhol e primeiro governador de Assunção, Paraguai.

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Sua infância foi marcada por problemas de saúde. Por conta das suas crises asmáticas, sua família se mudou de Buenos Aires para Alta Gracia, em busca de um lugar onde o filho mais velho pudesse ter melhores condições de saúde. Enquanto estava em tratamento, Guevara começou o hábito da leitura. Entre os livros que leu, estavam poesias, romances e escritos de Karl Marx, que influenciaram sua formação política.

Em 1942, Che Guevara começou seus estudos secundários na Escola Deán Funes, em Córdoba. Ele concluiu seus estudos em 1946, e entrou para a Universidade de Buenos Aires dois anos depois, para começar o curso de Medicina. Guevara manteve o hábito de leitura vindo dos tempos de infância, mas, na faculdade, aprofundou seus estudos sobre Karl Marx e a crítica que o marxismo fazia sobre o capitalismo.

Viagens de Che Guevara

Ernesto Che Guevara gostava muito de viajar. Ele fez uma viagem de mais de 4500 km pela Argentina. Em 1951, ele atuou como médico em um petroleiro, mesmo não tendo concluído o curso de Medicina. Contudo, a viagem mais famosa e a que mais marcou sua vida aconteceu em 1952, quando, acompanhado do amigo Alberto Granado, viajou de motocicleta pela América do Sul. Essa viagem foi retratada no filme Diários de Motocicleta, de 2004, dirigido por Walter Sales.

Durante essa viagem, Che Guevara e Alberto Granado tiveram contato direto com a pobreza e a desigualdade social vivida pelos países sul-americanos. Essa experiência, aliada com o conhecimento adquirido pelas leituras de livros marxistas, começou a fazer com que Che refletisse sobre a realidade do continente em que vivia e buscasse alternativas para solucionar aqueles problemas sociais.

Mesmo antes de se formar, ele atuou como médico de populações carentes dos locais por onde passou. Logo após essa viagem, Che Guevara voltou a Buenos Aires para terminar o curso de Medicina. Ele se formou em 1953 e iniciou outra viagem, mas agora tendo o amigo de infância Carlos Ferrer como companheiro de bordo.

Na segunda viagem pela América do Sul, Che Guevara foi até a Bolívia, onde conheceu o Movimento Nacionalista Revolucionário. Depois de passar pelo Peru e Equador, ele seguiu até a Guatemala para conhecer o governo progressista de Jacobo Arbenz. Che Guevara acompanhou de perto as ações do governo guatemalteco e as reformas que estavam sendo implantadas, como a reforma agrária.

No entanto, essa reforma atingiu os interesses da United Fruit Company, que tinha ligações com a CIA, central de inteligência norte-americana. Dessa forma, os Estados Unidos começaram a pressionar o governo Arbenz, que sofreu golpe de estado, apoiado pelos norte-americanos.

Com a mudança de governo na Guatemala, temendo ser perseguido, Che Guevara se mudou para o México, onde viveu entre 1954 e 1956. Ele percebeu que a interferência dos Estados Unidos contribuía para a desigualdade social na América Latina. Enquanto esteve no México, Che Guevara conheceu os revolucionários cubanos, como os irmãos Castro (Fidel e Raúl), e foi convencido a aderir à luta contra a ditadura de Fulgêncio Batista, presidente de Cuba.

Revolução Cubana

Os revolucionários chegaram a Cuba e entraram em conflito com as tropas do governo. Alguns foram mortos, e os sobreviventes se abrigaram em Sierra Maestra. Com apoio da população camponesa, os revolucionários atacaram o governo, e, em 1º de janeiro de 1959, Fulgêncio Batista fugiu de Cuba, abrindo caminho para a formação de um novo governo. No dia 8 de janeiro, os revolucionários entraram em Havana, capital cubana, confirmando o êxito da revolução.

No governo revolucionário liderado por Fidel Castro, Ernesto Che Guevara ocupou cargos de destaque. Ele foi comandante do exército, com o objetivo de formar uma força armada revolucionária. Também atuou em cargos ligados à área econômica, como a presidência do Banco Nacional e do Ministério da Indústria. Che Guevara tratou de implantar a reforma agrária e estatizar as propriedades privadas.

A experiência de Che Guevara na Guatemala, quando viu a interferência dos Estados Unidos no governo progressista de Jacobo Arbenz, fez com que ele defendesse a aproximação de Cuba com a União Soviética para garantir a soberania do país. Em tempos de Guerra Fria, quando norte-americanos e soviéticos estavam com conflito ideológico, buscando ampliar suas zonas de influência, esse gesto foi considerado pelos Estados Unidos como uma provocação.

A proximidade geográfica de Cuba com a maior superpotência capitalista do mundo chamou a atenção da Casa Branca para a geopolítica da América Latina. A adesão cubana ao lado soviético da Guerra Fria poderia ter impacto em outros países latino-americanos.

Em 1961, sob o comando do presidente John Kennedy, a CIA apoiou a invasão da Baía dos Portos, em Cuba, mas as tropas cubanas derrotaram os invasores. Esse confronto fez com que o governo cubano se declarasse socialista e favorável à União Soviética. No mesmo ano, Che Guevara foi convidado pelo presidente Jânio Quadros a visitar o Brasil.

Em solenidade no Palácio do Planalto, Jânio condecorou o líder cubano com a Ordem do Cruzeiro do Sul, uma das maiores honrarias do Brasil. Essa homenagem estava inserida na política externa independente do governo Quadros de estabelecer suas relações exteriores sem interferência da Guerra Fria, ou seja, sem tomar lado para os Estados Unidos ou para a União Soviética.

Morte de Che Guevara

Ernesto Che Guevara permaneceu no governo cubano até 1965. Em sua concepção, a derrota do capitalismo se daria a nível internacional, e, para isso, deveria se fazer a revolução em várias partes do mundo. Ele usaria a força da sua imagem, que, naquele tempo, já era bastante conhecida, para aderir forças à sua luta internacional anticapitalista.

Entre 1965 e 1966, Che Guevara esteve na República do Congo, no continente africano, mas lá a sua luta fracassou. Ainda em 1966, ele desembarcou na Bolívia; em 1967, começou a formar uma tropa de guerrilheiros que pudesse derrubar o governo ditatorial que comandava os bolivianos. Entretanto, Che Guevara não contou com o apoio do Partido Comunista Boliviano, e o exército daquele país, com apoio da CIA, já estava em sua perseguição.

No dia 8 de outubro de 1967, o exército boliviano o cercou, e ele foi ferido em confronto. Che Guevara foi capturado por soldados bolivianos e morto no dia seguinte, em La Higuera. Seus restos mortais foram encontrados em 1997 e levados para Cuba, onde jazem em um memorial. A data da captura de Che Guevara batizou um dos grupos armados que lutou contra a ditadura militar brasileira, o Movimento 8 de Outubro (MR8).

 

 

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Tags: Geral
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

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