Londrina (PR) – A palmeira Juçara, espécie nativa da Mata Atlântica e considerada estratégica para a conservação ambiental, foi o centro de um encontro realizado no Núcleo de Agroecologia (NEAGRO) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Pesquisadores, estudantes, empreendedores e representantes da comunidade acadêmica discutiram o avanço das pesquisas e a ampliação de parcerias voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva da espécie no Paraná.
A Juçara (Euterpe edulis Martius) ficou conhecida durante décadas pela exploração do palmito, atividade que contribuiu para a redução de populações nativas em diversas áreas da Mata Atlântica. Nos últimos anos, porém, pesquisadores e produtores passaram a concentrar esforços em alternativas sustentáveis que preservam a árvore e valorizam seus frutos.
O encontro contou com a participação do deputado estadual Goura (PDT), autor da legislação estadual voltada à valorização da palmeira Juçara, além de professores, pesquisadores, estudantes, ambientalistas e representantes de empreendimentos ligados à espécie.
Organizada pelos professores Karla Bigetti Guergoletto, do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos (DCTA), e Maurício Ventura, do Departamento de Agroecologia, a atividade buscou aproximar iniciativas acadêmicas, ambientais e produtivas que já atuam em diferentes regiões do Estado.
Atualmente, pesquisas relacionadas à Juçara são desenvolvidas em instituições como a UEL, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialmente no Setor Litoral, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em áreas próximas aos assentamentos de Quedas do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu, além de iniciativas existentes em Foz do Iguaçu e outros municípios paranaenses.
Fruto ganha espaço em pesquisas e novos mercados
Nos últimos anos, o fruto da Juçara passou a despertar interesse crescente entre pesquisadores e produtores por seu potencial alimentar, nutricional e comercial. Frequentemente comparado ao açaí por suas características e possibilidades de processamento, ele tem sido apontado como uma alternativa capaz de gerar renda sem a necessidade de derrubar a palmeira.
A proposta debatida durante o encontro é ampliar a conexão entre universidades, agricultores familiares, viveiristas, empreendedores e organizações ambientais para fortalecer uma rede estadual de produção e pesquisa.
Segundo os participantes, a troca de experiências pode contribuir para o desenvolvimento de novos produtos, ampliar mercados e consolidar modelos produtivos alinhados à agroecologia e à conservação ambiental.
Além do potencial econômico, a Juçara desempenha papel importante para a biodiversidade da Mata Atlântica. Seus frutos servem de alimento para diversas espécies de aves e mamíferos, que ajudam a dispersar sementes e contribuem para a regeneração natural da floresta.
Durante o encontro, também foram debatidos temas relacionados à agroecologia, agricultura urbana, preservação da biodiversidade e redução do uso de agrotóxicos.
A expectativa dos participantes é ampliar a articulação entre centros de pesquisa e iniciativas produtivas já existentes no Paraná, fortalecendo uma rede capaz de compartilhar conhecimento, estimular a inovação e ampliar o alcance das experiências desenvolvidas com a Juçara.
Mais do que uma espécie nativa da Mata Atlântica, a palmeira Juçara vem se consolidando como símbolo de uma nova relação entre conservação ambiental e desenvolvimento econômico. Para pesquisadores e produtores, o fortalecimento da cadeia produtiva da espécie representa uma oportunidade de gerar renda, preservar florestas e ampliar práticas sustentáveis em diferentes regiões do Estado.




















