Fênix (PR) – Em um período marcado pelos impactos das mudanças climáticas e pela crescente pressão sobre os recursos naturais, áreas protegidas assumem papel cada vez mais importante na preservação do patrimônio ambiental e histórico. No Paraná, dois parques estaduais localizados em extremos opostos do território celebram aniversário nesta quarta-feira (17), reafirmando essa missão: conservar a natureza, proteger a biodiversidade e manter viva parte da memória da formação do Estado.
O Parque Estadual Vila Rica do Espírito Santo, em Fênix, na região Centro-Oeste, completa 61 anos de criação. Já o Parque Estadual do Palmito, em Paranaguá, no Litoral, celebra 28 anos. Embora separados por centenas de quilômetros e inseridos em paisagens distintas, ambos representam importantes refúgios ambientais em um Estado que perdeu grande parte de sua cobertura florestal original ao longo do século XX.
Em Fênix, a preservação ambiental caminha lado a lado com a história. O Parque Estadual Vila Rica do Espírito Santo abriga as ruínas da antiga Villa Rica del Espíritu Santo, uma cidade colonial espanhola fundada no século XVI. O sítio arqueológico preserva vestígios da presença europeia e da convivência com povos indígenas que habitavam a região, oferecendo uma rara oportunidade de compreender parte das origens históricas do Sul do Brasil.
Além das ruínas, o espaço reúne artefatos arqueológicos, cerâmicas, registros de pesquisas científicas e uma maquete que permite visualizar como era a antiga cidade. O conjunto transforma o parque em um importante centro de educação patrimonial e ambiental.
Nos últimos anos, a unidade passou a atrair um público cada vez maior. A instalação de um espaço infantil contribuiu para aproximar famílias da região do ambiente natural e ampliou significativamente o fluxo de visitantes. Segundo o Instituto Água e Terra (IAT), responsável pela gestão do local, o número de turistas saltou de cerca de 3 mil pessoas em 2023 para aproximadamente 7,5 mil em 2024.
| “Os pais vêm e, enquanto as crianças brincam, eles têm tempo para admirar os painéis do parque ou ler um livro. Você vê várias famílias sentadas nos bancos trocando ideias e contando histórias antigas. A iniciativa acabou satisfazendo tanto crianças quanto adultos, que se aproximaram mais da natureza”, afirma o chefe da unidade, João do Carmo.
No Litoral, o Parque Estadual do Palmito protege um dos ecossistemas mais ricos e ameaçados do planeta: a Mata Atlântica. A unidade foi criada para conservar o palmito-juçara (Euterpe edulis), espécie nativa que sofreu intensa exploração devido ao valor comercial do palmito extraído de seu caule.
A área abriga ainda manguezais, restingas e ambientes úmidos fundamentais para a reprodução de inúmeras espécies de peixes, crustáceos, aves e mamíferos. Mais recentemente, um flutuante instalado junto ao Rio Guaraguaçu passou a proporcionar uma experiência ainda mais próxima da dinâmica natural do mangue.
| “Quando você chega até esse flutuante, você para, fica quieto e escuta o barulho do mangue, que parece que conversa com você. É muito bonito e relaxante”, destaca a chefe da unidade, Larissa Salomão.
O acesso ao local ocorre por meio de uma trilha plana de aproximadamente cinco quilômetros, percorrida por caminhantes e ciclistas. Ao longo do percurso, visitantes encontram sinais da fauna local, observam aves de rapina e atravessam áreas preservadas da Mata Atlântica.
A importância dessas áreas vai muito além do turismo. Em um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, parques e reservas naturais ajudam a proteger nascentes, conservar espécies ameaçadas e manter serviços ambientais essenciais para a população. Os manguezais, por exemplo, funcionam como barreiras naturais contra a erosão costeira e armazenam grandes quantidades de carbono, contribuindo para reduzir os impactos das mudanças climáticas.
Ao mesmo tempo, espaços como Vila Rica do Espírito Santo ajudam a preservar a memória coletiva do Paraná, conectando as novas gerações a processos históricos que moldaram o território e a identidade regional.
Do sítio arqueológico que guarda parte da história colonial do Sul do Brasil aos manguezais que sustentam a vida costeira, os parques estaduais demonstram que proteger a natureza também significa proteger a cultura, a memória e o futuro das próximas gerações.


















