Presidente Lula reforça papel social da construção civil

Presidente Lula reforça papel social da construção civil

Setor emprega mais de três milhões de trabalhadores e segue estratégico para a economia

Lula participou da abertura do ENIC 2026 em São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert / PR
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São Paulo (SP) — A defesa da redução da jornada de trabalho, o fortalecimento da política habitacional e o papel da construção civil na geração de empregos marcaram o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura do Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC 2026), realizado nesta terça-feira (19), em São Paulo.

Diante de empresários e representantes do setor, Lula voltou a defender o fim da escala 6×1, afirmando que os trabalhadores brasileiros reivindicam mais tempo para viver, conviver com a família, estudar e descansar. Para o presidente, o crescimento econômico precisa caminhar com a melhoria da qualidade de vida da população.

“A escala 6 por 1 é uma coisa necessária, porque hoje o povo quer mais tempo para ficar em casa, quer mais tempo para lazer, quer mais tempo para estudar, quer mais tempo para namorar”, afirmou.

A fala ocorre em um momento em que o debate sobre a jornada de trabalho ganha espaço no país. A proposta de redução da carga horária sem diminuição salarial vem sendo defendida por movimentos sindicais e por setores do governo federal como uma forma de ampliar direitos e adaptar as relações de trabalho às transformações econômicas e tecnológicas das últimas décadas.

Ao longo do discurso, Lula também reforçou a importância da construção civil para a economia brasileira. O setor está entre os maiores geradores de empregos do país e possui forte impacto na infraestrutura urbana, na habitação e na circulação de renda.

Para o presidente, a parceria entre Estado e iniciativa privada é fundamental para enfrentar problemas históricos do Brasil, especialmente o déficit habitacional. Segundo ele, a ampliação do acesso à moradia continua sendo uma das prioridades do governo federal.

“O ser humano precisa de tranquilidade. E a casa representa essa tranquilidade. Por isso eu tenho obsessão em construir casas”, declarou.

A política habitacional tem sido uma das principais apostas do governo para impulsionar a construção civil. Desde a retomada do Minha Casa, Minha Vida, em 2023, mais de dois milhões de unidades habitacionais foram contratadas em todo o país, com investimentos que superam R$ 300 bilhões. A meta do governo é alcançar três milhões de moradias contratadas até o final de 2026.

Mais do que números, a discussão envolve um dos principais desafios sociais brasileiros. Milhões de famílias ainda enfrentam dificuldades para acessar moradia adequada, enquanto o crescimento desordenado das cidades amplia problemas relacionados à infraestrutura, mobilidade urbana e ocupação de áreas vulneráveis.

Os investimentos também refletem diretamente no mercado de trabalho. Dados apresentados durante o evento indicam que a construção civil ultrapassou a marca de três milhões de trabalhadores com carteira assinada e criou mais de 192 mil empregos formais ao longo de 2025.

Outro tema abordado pelo presidente foi o combate à violência contra as mulheres. Lula afirmou que a responsabilidade pelo enfrentamento do feminicídio e das diversas formas de violência de gênero não pode ser atribuída apenas às mulheres e convocou os empresários a participarem dessa mobilização.

Segundo ele, a construção de uma sociedade menos violenta depende do envolvimento dos homens e das instituições em uma mudança cultural capaz de enfrentar uma das mais graves violações de direitos humanos registradas no país.

A discussão apresentada no encontro revela que os desafios da construção civil vão muito além dos canteiros de obras. Envolvem emprego, renda, habitação, infraestrutura urbana e qualidade de vida. Em um país marcado por profundas desigualdades sociais, o setor continua ocupando papel estratégico tanto para o crescimento econômico quanto para a redução de problemas históricos que ainda afetam milhões de brasileiros.


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