Foz do Iguaçu (PR) — Em meio ao aumento das temperaturas baixas e ao crescimento da vulnerabilidade social nas cidades brasileiras, Foz do Iguaçu iniciou nesta segunda-feira (18) a Operação “Nossa Casa”, uma força-tarefa integrada voltada ao atendimento da população em situação de rua. A ação reúne equipes da assistência social, saúde e segurança pública para ampliar abordagens, encaminhamentos e acolhimento institucional em diferentes regiões do município.
As atividades começaram pela região central da cidade, com concentração das equipes na Praça Getúlio Vargas. Participam da operação profissionais das secretarias municipais de Assistência Social, Segurança Pública, Saúde e Comunicação Social.
A iniciativa ocorre em um contexto social cada vez mais complexo. O crescimento da população em situação de rua deixou de ser um fenômeno isolado e passou a refletir diretamente o agravamento das desigualdades sociais, da precarização do trabalho, do aumento do custo de vida, da crise habitacional e também dos impactos relacionados à saúde mental e dependência química.
Pela primeira vez, Foz do Iguaçu realizou, em 2025 um Censo da População em Situação de Rua. O levantamento foi coordenado pela Prefeitura Municipal com apoio de diversas instituições, entre elas a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Ao longo do mês de agosto, foram realizadas 685 abordagens, resultando em 569 entrevistas com pessoas em situação de rua.
Os dados revelaram um perfil profundamente atravessado pelas desigualdades sociais brasileiras. A maioria das pessoas identificadas é formada por homens adultos, heterossexuais, pretos e pardos, com baixa escolaridade e vínculos sociais fragilizados.
Outro dado que chama atenção é que mais da metade dessa população não nasceu em Foz do Iguaçu. Muitos vieram de outras cidades e estados, mas afirmaram não desejar retornar aos locais de origem, manifestando principalmente o desejo de sair da condição de rua e reconstruir a própria vida.
O professor Marcelino Teixeira Lisboa, da UNILA, integrou o grupo responsável pelo levantamento e destacou que o trabalho busca fornecer elementos concretos para construção de políticas públicas permanentes.
“A UNILA teve uma participação bastante substantiva, principalmente na elaboração da metodologia e na análise dos dados relacionados às questões sociais, migratórias e de saúde”, explicou o professor.
Segundo ele, o levantamento ajuda o município a compreender melhor uma realidade frequentemente invisibilizada no cotidiano urbano.
Operação amplia abordagens e acolhimento
De acordo com o secretário municipal de Assistência Social, Alex Thomazi, a Operação “Nossa Casa” busca fortalecer a rede de proteção social justamente em um período mais sensível do ano, marcado pela queda das temperaturas.
“A população em situação de rua é um público extremamente complexo, heterogêneo e que precisa ser olhado com humanidade, cuidado e também dentro da legalidade que a situação exige”, afirmou.
O secretário destacou ainda que o enfrentamento da situação exige atuação integrada entre diferentes setores do poder público e da sociedade.
“Integrar as ações é necessário, envolvendo o Poder Judiciário, Legislativo, Executivo e a sociedade como um todo”, declarou.
As equipes atuarão às segundas, quartas e sextas-feiras no período da manhã, a partir das 8h, e às terças, quintas e sábados no período noturno, a partir das 20h. Os locais atendidos serão definidos conforme o mapeamento das áreas com maior concentração de pessoas em situação de rua.
Durante as abordagens, os profissionais realizarão encaminhamentos para acolhimento institucional, atendimento de saúde, assistência social e demais serviços públicos disponíveis no município.
A operação deve seguir inicialmente até o dia 29 de maio, quando a prefeitura fará uma avaliação dos resultados das ações.
Debate exige políticas públicas permanentes
Especialistas da área social alertam que ações emergenciais são importantes, mas insuficientes diante da complexidade do problema. O crescimento da população em situação de rua exige políticas estruturantes ligadas à moradia, geração de renda, saúde mental, combate à fome e reinserção social.
O próprio levantamento realizado em Foz do Iguaçu mostra que boa parte das pessoas em situação de rua deseja reconstruir vínculos sociais e sair dessa condição, evidenciando que o problema não pode ser tratado apenas sob a ótica da segurança pública, mas principalmente como questão social e humanitária.
Telefones para atendimento e emergência
Serviço Especializado de Abordagem Social:
(45) 99997-3773 — atendimento 24 horas via WhatsApp.
Consultório na Rua:
(45) 98401-6152 — atendimento das 7h às 13h para situações relacionadas à saúde mental e uso de drogas.
Emergências:
Polícia Militar: 190
Guarda Municipal de Foz do Iguaçu: 153

















