Lincoln (Nebraska/EUA) — O avanço da inteligência artificial no campo deixou de ser projeção futurista e já faz parte da rotina de propriedades rurais nos Estados Unidos. No Estado do Nebraska, uma das principais universidades agrícolas do país atua diretamente dentro das fazendas, desenvolvendo pesquisas integradas com produtores e aplicando tecnologias que vão da automação agrícola ao monitoramento digital da pecuária.
A experiência norte-americana esteve no centro da visita técnica realizada pela delegação do Sistema FAEP, que percorre os Estados Unidos para conhecer aplicações práticas da inteligência artificial no agronegócio. O grupo reúne produtores rurais, presidentes de sindicatos, lideranças do setor e técnicos da entidade.
Na Universidade do Nebraska, em Lincoln, os paranaenses tiveram contato com um modelo que aproxima ciência, pesquisa e realidade produtiva no campo.
“A universidade conecta ciência às demandas reais dos produtores rurais, utilizando propriedades comerciais como ambientes de validação tecnológica”, destaca Santosh Pitla, co-diretor do Instituto de Agricultura e Recursos Naturais (IANR).
Tecnologia aplicada dentro das propriedades
O modelo adotado pela universidade funciona em parceria direta com agricultores e pecuaristas. Os produtores participam das pesquisas, ajudam na definição dos experimentos e acompanham os resultados dentro das próprias fazendas.
Atualmente, o instituto conta com cerca de 360 extensionistas espalhados por 93 condados do Nebraska e conduz projetos em uma área superior a 17 mil hectares. As pesquisas envolvem agricultura de precisão, monitoramento remoto, uso de drones, sensores ópticos, análise por satélite e inteligência artificial aplicada ao manejo agrícola.
Um dos projetos apresentados à delegação utiliza dados coletados em lavouras para otimizar o uso de nitrogênio em culturas como o milho. Segundo os pesquisadores, os testes permitiram reduzir em cerca de 20% a aplicação do insumo sem comprometer a produtividade. Além da economia, o sistema também reduz impactos ambientais, principalmente relacionados à contaminação de águas subterrâneas.
Outro destaque apresentado no Nebraska foi o uso de robôs autônomos no manejo rural. Equipamentos controlados por inteligência artificial já realizam pulverização seletiva de plantas daninhas e monitoramento fitossanitário nas lavouras. As máquinas utilizam câmeras, sensores e modelos computacionais capazes de identificar doenças, problemas estruturais e variações nas plantações antes mesmo que os danos se espalhem.
Na pecuária, a tecnologia também avança rapidamente. Sistemas monitoram os animais por radiofrequência, visão computacional e sensores inteligentes.
“O sistema consegue identificar alterações comportamentais, monitorar alimentação e até detectar possíveis doenças sem necessidade de manejo físico”, explicou a equipe técnica da universidade.
Irrigação conectada e controle remoto
Ainda no Nebraska, a delegação visitou a Valley Irrigation, uma das maiores empresas de irrigação mecanizada do mundo. A companhia possui cerca de 250 mil pivôs instalados globalmente, sendo 40 mil no Brasil.
O modelo apresentado aos produtores paranaenses utiliza internet, sensores climáticos e inteligência artificial para controlar remotamente sistemas de irrigação.
“Hoje operamos com tecnologias que permitem ajustar automaticamente a aplicação de água conforme a necessidade de cada área da lavoura”, afirmou Darren Siekman, vice-presidente da Valley Irrigation.
Segundo a empresa, propriedades brasileiras que adotaram os sistemas registraram redução de até 15% no consumo de água e energia, além de aumento de produtividade.
Para o Sistema FAEP, a viagem técnica busca aproximar os produtores rurais do Paraná das tecnologias que já começam a redefinir a produção agrícola mundial.
“Vamos fomentar a adoção da inteligência artificial no meio rural do Paraná, colocando essa tecnologia no dia a dia do produtor”, afirmou Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.
A discussão ocorre em um momento em que o agronegócio mundial enfrenta desafios ligados à produtividade, escassez de mão de obra, mudanças climáticas e sustentabilidade ambiental.



















