Paraná amplia rede humanizada no Dia da Luta Antimanicomial

Paraná amplia rede humanizada no Dia da Luta Antimanicomial

Rede estadual amplia serviços e reforça políticas de acolhimento, autonomia e reinserção social de pessoas com sofrimento psíquico.

CAPS fortalecem acolhimento e reinserção social em diferentes regiões do Estado. Foto: SESA
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Curitiba (PR) — O Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, recoloca no centro do debate um dos temas mais sensíveis da saúde pública brasileira: o direito ao cuidado em saúde mental sem exclusão, violência ou abandono. No Paraná, a data chega acompanhada da ampliação de serviços e da consolidação de uma rede pública que busca substituir o antigo modelo manicomial por atendimento humanizado, territorial e integrado à vida das pessoas.

A mudança representa uma ruptura histórica com décadas de internações compulsórias prolongadas, isolamento social e violações de direitos que marcaram a política psiquiátrica brasileira durante boa parte do século passado. Hoje, a lógica defendida pela reforma psiquiátrica prioriza acolhimento, autonomia, convivência comunitária e reinserção social.

Atualmente, o Paraná conta com 163 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), além de ambulatórios especializados distribuídos nas 22 regionais de saúde do Estado. A estrutura inclui ainda sete Serviços Integrados de Saúde Mental do Paraná (SIMPR), equipes multiprofissionais especializadas, leitos em hospitais gerais e serviços residenciais terapêuticos.

Saúde mental deixa de ser isolamento e passa a ser cuidado comunitário

A transformação do atendimento psiquiátrico no Brasil ganhou força a partir do movimento da luta antimanicomial, surgido nacionalmente no fim da década de 1980. A partir dali, o entendimento de que pessoas com transtornos mentais deveriam ser afastadas do convívio social começou a ser substituído por políticas públicas voltadas à dignidade humana e aos direitos sociais.

No Paraná, a proposta atual busca fortalecer o cuidado próximo da realidade de cada usuário, integrando atendimento médico, suporte psicológico, vínculos familiares e ações de inclusão social.

“Os tratamentos de saúde mental mudaram e evoluíram ao longo dos anos. O Paraná investe em um tratamento humano, focado na pessoa e em sua família”, afirma o secretário estadual da Saúde, César Neves.

A porta de entrada desse atendimento ocorre principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), responsáveis pelo acolhimento inicial e encaminhamento dentro da rede pública.

CAPS ampliam oficinas, convivência e reinserção social

Nos Centros de Atenção Psicossocial, o tratamento vai além da medicação e do acompanhamento clínico. As unidades desenvolvem oficinas de artesanato, atividades culturais, práticas esportivas, grupos terapêuticos e ações voltadas à geração de renda e fortalecimento da autonomia dos usuários.

As assembleias realizadas dentro dos serviços também fazem parte da proposta de reconstrução da cidadania, permitindo que usuários debatam direitos, deveres e formas de convivência coletiva.

“É uma forma de promover também trabalho e renda”, destaca Jaqueline Aristides, coordenadora do CAPS de Apucarana, sobre as oficinas profissionalizantes oferecidas na unidade.

Neste ano, a rede estadual também foi ampliada com novas habilitações de CAPS nos municípios de Joaquim Távora e Santa Mariana, além da implantação de Centros de Convivência em Cruzeiro do Oeste, São Tomé e Ponta Grossa.

Outro eixo do investimento estadual está na qualificação das equipes de saúde. Em 2025, aproximadamente 18 mil profissionais participaram de capacitações voltadas ao atendimento em saúde mental por meio do PlanificaSUS Paraná.

A Secretaria de Estado da Saúde também iniciou treinamentos baseados no Manual de Intervenções mhGAP, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), voltado ao acolhimento e manejo de transtornos mentais na atenção básica.

Além disso, uma parceria entre a Sesa e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) oferece formação específica sobre desinstitucionalização de pessoas com transtornos mentais em conflito com a lei.

Luta antimanicomial ainda enfrenta preconceito e desigualdade

Apesar dos avanços da reforma psiquiátrica, especialistas e movimentos sociais alertam que o estigma sobre transtornos mentais ainda permanece presente na sociedade brasileira, principalmente entre populações vulneráveis marcadas por pobreza, exclusão social, dependência química e abandono familiar.

A luta antimanicomial também carrega uma dimensão política e social ao defender que sofrimento psíquico não pode ser tratado apenas como questão clínica, mas também como reflexo das desigualdades sociais, da violência e das condições de vida enfrentadas por parte da população.

A proposta construída ao longo das últimas décadas busca romper justamente com a lógica do encarceramento psiquiátrico e garantir que o cuidado aconteça em liberdade, dentro da comunidade e com respeito à dignidade humana.


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