Washington, EUA – Cerca de 43% dos eleitores que participaram das eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3) afirmaram que uma das razões para votar foi manifestar oposição ao presidente Donald Trump. O dado aparece nos primeiros resultados da pesquisa de boca de urna da NBC News e representa uma proporção superior à registrada nas eleições legislativas de 2018, durante o primeiro mandato do republicano.
O percentual já havia aparecido em uma pesquisa divulgada pela emissora em setembro. Na ocasião, o levantamento identificou o maior índice de eleitores dispostos a utilizar o voto como manifestação de oposição a um presidente em exercício nas eleições de meio de mandato desde 1998. Os primeiros resultados indicam que a série de viagens e comícios realizados por Trump nas últimas semanas, em apoio aos candidatos republicanos, não foi suficiente para alterar esse quadro.
A insatisfação com o governo também aparece nos dados sobre a situação econômica das famílias. A inflação, o preço da gasolina, dos alimentos e dos serviços básicos estão entre as principais preocupações dos entrevistados. A maioria dos participantes afirmou que o aumento dos preços provoca dificuldades em seus lares e responsabilizou Trump pelos custos elevados e por políticas que, na avaliação desses eleitores, prejudicam a economia.
Inflação e custo de vida pesam na avaliação do governo
O descontentamento econômico se soma a outros temas que marcaram a campanha eleitoral, entre eles a guerra com o Irã e a política migratória do governo norte-americano. Pesquisas nacionais divulgadas nos meses anteriores à votação já apontavam essas questões como fatores de insatisfação entre os eleitores.
Na própria terça-feira, enquanto os americanos ainda votavam, Trump anunciou o fim da ajuda militar anual de aproximadamente US$ 4 bilhões dos Estados Unidos a Israel, com encerramento previsto para o fim de 2026. A decisão acrescentou mais um tema à agenda internacional que acompanhou a disputa eleitoral.
A pesquisa da NBC News foi realizada com eleitores na saída dos locais de votação em diferentes partes do país. O levantamento também incluiu entrevistas por telefone, correio e internet com pessoas que votaram antecipadamente ou enviaram seus votos por correspondência. Dessa forma, a consulta procurou reunir respostas de eleitores que participaram da eleição em diferentes modalidades.
Aprovação de Trump chega a 38%
Entre os entrevistados, 38% aprovaram o desempenho de Donald Trump na Presidência. Segundo os dados preliminares, esse é o menor índice de aprovação de um presidente em exercício em uma eleição de meio de mandato em quase duas décadas.
O resultado representa uma queda de sete pontos percentuais em relação às eleições legislativas de 2018, quando 45% dos eleitores consultados aprovavam a gestão de Trump. Naquele ano, apesar de contar com uma avaliação mais favorável do que a registrada agora, o Partido Republicano perdeu o controle da Câmara dos Representantes para o Partido Democrata.
A desaprovação também apareceu em estados considerados importantes para a disputa pelo Senado. Na Geórgia, em Ohio, Michigan e Texas, a maioria dos eleitores consultados rejeitou o desempenho de Trump à frente do governo. Os índices de desaprovação nesses estados foram superiores aos registrados nas eleições de 2018.
Republicanos e democratas também enfrentam rejeição
A insatisfação dos eleitores não se restringe ao presidente. Os dois principais partidos dos Estados Unidos também registraram mais avaliações negativas do que positivas na pesquisa.
O Partido Republicano teve 59% de opiniões desfavoráveis e 41% favoráveis. Já o Partido Democrata registrou 54% de avaliações negativas e 46% positivas.
Outro dado chama a atenção: quase um em cada cinco entrevistados afirmou não ter uma opinião favorável de nenhum dos dois partidos. A proporção é pelo menos cinco pontos percentuais superior à registrada nas duas eleições de meio de mandato anteriores, em 2018 e 2022.
Os números indicam que o desgaste político alcança tanto o partido do presidente quanto a principal força de oposição. Embora os democratas tenham registrado uma avaliação menos negativa do que os republicanos, também enfrentam resistência significativa entre os eleitores.
Eleição define o controle do Congresso
As eleições de meio de mandato renovam os 435 assentos da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. O resultado determinará qual partido terá o controle do Congresso durante os dois últimos anos do atual mandato presidencial de Donald Trump.
A pesquisa de boca de urna oferece um retrato das motivações e avaliações dos eleitores, mas não substitui a apuração oficial dos votos. Os percentuais divulgados são preliminares e podem sofrer alterações à medida que novas entrevistas forem incorporadas ao levantamento e a contagem eleitoral avançar.
Além de medir a aprovação presidencial, os dados mostram o peso da inflação, do custo de vida e das decisões de política externa e migratória na avaliação do governo. A votação também expõe o desgaste dos dois partidos que dominam a política norte-americana, em uma eleição que terá consequências diretas sobre a capacidade de Trump de conduzir sua agenda no Congresso.



Deixe um comentário