Belgrado, SRB – A Lista Estudantil, movimento de oposição liderado por estudantes, venceu as eleições legislativas antecipadas realizadas no domingo (25), derrotando o bloco do presidente Aleksandar Vučić, que dominava a política sérvia desde 2014, como primeiro-ministro ou presidente. Com 96,9% das urnas apuradas, a lista obteve 52,6% dos votos, contra 39,22% da aliança governista.
“A Sérvia ganhou, exatamente como prometemos”, declarou Ilija Srdanovic, representante da Lista Estudantil, diante de apoiadores que comemoravam o resultado com balões coloridos. “Nunca mais teremos um tirano neste país”, acrescentou, segundo a agência France-Presse.
Vučić reconheceu a derrota na noite de domingo. “É claro que perdemos estas eleições”, disse aos apoiadores reunidos na sede de seu partido, na capital sérvia.
O resultado representa uma mudança na correlação de forças políticas do país e abre caminho para que a oposição assuma o comando do governo.
Estudantes devem conquistar maioria parlamentar
A projeção mais recente do Centro para Eleições Livres e Democracia (CeSID) indicava que a Lista Estudantil conquistaria 140 das 250 cadeiras do Parlamento sérvio, superando os 126 assentos necessários para formar maioria. O bloco de Vučić teria 103 cadeiras, enquanto as sete restantes seriam ocupadas por representantes de partidos de minorias nacionais.
A lista reúne 250 candidatos, muitos deles pouco conhecidos do eleitorado. Entre os nomes estão professores universitários, atores e agricultores. O grupo é liderado pelo cardiologista Ilija Srdanovic, que se emocionou até as lágrimas após o anúncio da derrota de Vučić, segundo a agência britânica Reuters.
A vitória dos estudantes ocorre em um país onde a permanência de Vučić no poder, primeiro como chefe de governo e depois como presidente, se estendia por mais de uma década. As eleições antecipadas foram as primeiras desde 2012 a oferecer aos eleitores uma possibilidade concreta de mudança no comando político nacional.
Participação recorde e fiscalização eleitoral
A votação também registrou uma participação expressiva. Branko Josipovic, diretor do Gabinete Nacional de Estatísticas, informou em uma entrevista coletiva que, duas horas antes do encerramento das urnas, 64,89% dos eleitores já haviam votado. Naquele momento, os números ainda eram preliminares.
O comparecimento superou o recorde anterior citado pelas autoridades: 61,34% nas eleições de 1993. Os resultados posteriores indicaram uma participação de aproximadamente 68,78%, segundo os dados divulgados na segunda-feira (26).
A fiscalização teve papel importante no acompanhamento do processo. Raša Nedeljkov, chefe de observação eleitoral do Centro para Pesquisa, Transparência e Responsabilidade (CRTA), afirmou na segunda-feira que a manipulação sistemática nas seções eleitorais foi amplamente evitada. Segundo ele, isso ocorreu em parte devido à presença de até 15 mil observadores nacionais, três vezes o número registrado em 2023, e à participação de cidadãos comuns na administração das seções.
Nedeljkov também criticou as condições em que a disputa ocorreu. “A Sérvia nunca mais deve participar de eleições que… foram marcadas pelo uso indevido de recursos estatais e públicos”, afirmou. Ele mencionou ainda tentativas de colocar o fluxo de informações sob controle governamental, ataques à imprensa e às redes sociais e ações destinadas a desacreditar os observadores eleitorais.
As declarações apontam para problemas que vão além da contagem dos votos: o uso da estrutura pública durante as campanhas, a liberdade de informação e as condições de fiscalização continuam no centro do debate sobre a democracia sérvia.
União Europeia celebra resultado
A vitória da Lista Estudantil recebeu manifestações de líderes e autoridades europeias. Entre elas estão a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos.
“Estamos prontos para… trabalhar juntos para promover o futuro da Sérvia na União Europeia”, escreveu von der Leyen em uma publicação na rede social X, sinalizando a disposição do bloco europeu para dialogar com a nova maioria parlamentar.
O resultado também provocou comparações com as eleições realizadas na Hungria seis meses antes, quando o aliado próximo de Vučić, Viktor Orbán, perdeu o poder após 16 anos. Tanto Vučić quanto Orbán contavam com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A derrota do bloco governista sérvio abre uma nova etapa política no país dos Bálcãs. A maioria projetada para a Lista Estudantil oferece condições para formar um governo, mas o resultado eleitoral, por si só, não resolve as questões levantadas durante a campanha sobre o uso de recursos públicos, a liberdade de imprensa e a fiscalização das eleições. A composição do novo governo e suas decisões indicarão como a mudança nas urnas se traduzirá em medidas concretas.



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