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Hospital Itamed integrará rede nacional de hospitais inteligentes

Projeto prevê UTIs neonatal e pediátrica, pronto-socorro obstétrico e salas de parto humanizado, com recursos do Ministério da Saúde e da Itaipu

Ministério da Saúde e Itaipu Binacional deverão participar do financiamento da expansão hospitalar. Foto: Paola Acioly/MS.

Foz do Iguaçu, PR – O Hospital Itamed receberá apoio do Ministério da Saúde para ampliar sua estrutura e construir uma nova maternidade. A unidade também passará a integrar a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão, iniciativa que prevê a modernização dos serviços hospitalares com tecnologias digitais, inteligência artificial e recursos de medicina de alta precisão. O projeto foi apresentado na segunda-feira (19), durante visita do secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, ao hospital.

A expansão pretende ampliar a assistência materno-infantil em Foz do Iguaçu e nos municípios da região. A nova estrutura também deverá criar condições para a implantação futura do Hospital Modelo de Fronteira, projeto que considera as necessidades específicas de uma região marcada pela circulação de pessoas entre Brasil, Paraguai e Argentina.

“Identificamos a necessidade de expandir esse hospital, associada aos conceitos que temos trabalhado no Ministério da Saúde. O objetivo é fortalecer o atendimento à população de Foz do Iguaçu e região, considerando as particularidades de uma cidade de fronteira”, afirmou Massuda.

Nova maternidade terá atendimento de urgência e terapia intensiva

O projeto prevê um Centro de Atendimento à Gestante, Pronto-Socorro Obstétrico, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) Neonatal, UTI Pediátrica, salas de parto humanizado e alojamento conjunto, estrutura que permite a permanência de mães e recém-nascidos no mesmo ambiente.

Os recursos para viabilizar a obra deverão ser obtidos por meio de convênios com o Ministério da Saúde e a Itaipu Binacional. A expansão busca reforçar a capacidade de atendimento a gestantes, recém-nascidos e crianças, embora o material apresentado não informe o valor do investimento, o cronograma das obras nem a data prevista para o início do funcionamento da maternidade.

Itamed fará parte da rede de hospitais inteligentes

Durante a visita, Massuda apresentou dados sobre a evolução dos investimentos na saúde pública e a modernização de hospitais de excelência vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa inclui o uso de tecnologias digitais, inteligência artificial e medicina de alta precisão para atualizar a estrutura e os serviços hospitalares.

O Hospital Itamed é a única unidade do interior do país contemplada no projeto, ao lado de hospitais localizados em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.

Segundo Massuda, experiências de hospitais inteligentes visitados na China, na Índia, na Coreia do Sul e nos Estados Unidos servirão de referência para a construção do Hospital Modelo de Fronteira. Os detalhes do projeto ainda serão definidos em regulamentação específica do Ministério da Saúde.

A proposta busca considerar as demandas de uma região em que o atendimento de saúde envolve uma população que circula entre diferentes países. O funcionamento dos serviços públicos nesse contexto exige atenção às necessidades locais, à capacidade da rede assistencial e à vigilância em saúde.

Tríplice fronteira pressiona a rede de saúde

Massuda afirmou que Foz do Iguaçu é a segunda cidade que mais recebe turistas no Brasil e funciona como uma vitrine do país para visitantes estrangeiros. A localização na tríplice fronteira, porém, também impõe dificuldades à organização dos serviços de saúde, incluindo a sobrecarga da rede e as necessidades de vigilância sanitária e epidemiológica.

A diretora do Departamento de Cooperação Técnica, Inovação e Desenvolvimento do Ministério da Saúde, Aline de Oliveira Costa, explicou que a iniciativa faz parte de uma discussão mais ampla sobre mudanças no modelo de atenção à saúde da região. A proposta, segundo ela, é ampliar a inclusão e oferecer atendimento qualificado e seguro.

“O que a gente tem discutido é mudar o modelo de atenção às pessoas de uma região de saúde, buscando cada vez mais inclusão, um cuidado qualificado e, sobretudo, um cuidado seguro. A Região de Saúde de Foz do Iguaçu tem um desafio que fará com que o Brasil aprenda sobre a relação das fronteiras e sobre o fortalecimento regional. E poder contar com a cooperação da Itaipu, com projetos que fortaleçam a saúde, também é muito importante para o nosso campo”, afirmou Aline.

Itaipu participará da expansão e do projeto de fronteira

A Itaipu Binacional também deverá contribuir com recursos para a expansão do hospital. O diretor-geral brasileiro da hidrelétrica, Enio Verri, afirmou que o Hospital Modelo de Fronteira está sendo planejado com apoio do Ministério da Saúde e em diálogo com o Paraguai, com a intenção de atender às necessidades dos dois lados da fronteira.

A empresa já mantém ações de cooperação em saúde com o Ministério da Saúde e instituições brasileiras e paraguaias. A participação da Itaipu é considerada parte da articulação necessária para desenvolver projetos voltados à assistência regional.

A visita ao Itamed reuniu representantes da Itaipu, do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (COSEMS), do Conselho Municipal de Saúde (COMUS), da Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI), do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Foz do Iguaçu (CODEFOZ), do GT Itaipu Saúde, do Itaipu Parquetec e da Fundação de Saúde Itaiguapy.

A ampliação do Itamed e a futura estrutura hospitalar de fronteira ainda dependem da viabilização dos recursos e da definição das regras específicas para o projeto. A expectativa apresentada pelo Ministério da Saúde é reforçar a assistência à população local e regional, levando em conta as particularidades de uma cidade que recebe visitantes e mantém relações cotidianas com os países vizinhos.

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

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