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Flávio voa de graça em helicóptero pego com malas de dinheiro vivo

Na reta final da eleição, o candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro usou aeronave flagrada com dinheiro do Faraó dos Bitcoins; senador cobrou R$ 1,3 milhão para soltar cúmplice.

Desembarque de Flávio Bolsonaro da aeronave Bell 429 durante a reta final eleitoral no Rio. Foto: Reprodução de vídeo.

Rio de Janeiro, RJ – O candidato da extrema-direita à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), desembarcou para o seu último ato de campanha a bordo do mesmo helicóptero interceptado pela Polícia Federal com R$ 7 milhões em dinheiro vivo. A apreensão ocorreu em 2021, no âmbito do esquema de pirâmide financeira comandado por Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó dos Bitcoins”, acusado de lesar mais de 77 mil pessoas.

As imagens do senador descendo da aeronave de matrícula PT-OUR em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no sábado (24), foram reveladas pela jornalista Juliana Dal Piva, no ICL Notícias. Procurado pela reportagem para esclarecer a relação com os operadores do voo e a origem do transporte, o parlamentar permaneceu em silêncio.

O flagrante com o dinheiro vivo ocorreu em Búzios, na Região dos Lagos, quando três operadores da GAS Consultoria, braço do esquema de criptomoedas, embarcavam com malas cheias de cédulas para São Paulo. O relatório da Polícia Federal destacou a conexão direta entre a dona do aparelho, a Fato Gestora, e o líder da quadrilha:

“O helicóptero foi emprestado pelo empresário Adalberto Salgado Junior (…) ao empresário e amigo Glaidson Acácio dos Santos”.

Ao tentar reaver os valores interceptados pela polícia, Glaidson alegou que o transporte de malas de dinheiro era necessário devido a restrições bancárias:

“Os bancos possuem uma rixa com o mercado de criptoativos”.

As ligações de Flávio com o grupo criminoso não se limitam ao uso da aeronave no fechamento da campanha eleitoral. O escritório de advocacia do senador faturou R$ 1,3 milhão em 2024 para defender Tunay Pereira Lima, ex-sócio de Glaidson, que chegou a ser preso pela Operação Kryptos.

O pagamento milionário caiu na conta da banca de Flávio um mês antes de o parlamentar assinar um pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O senador tentou trancar a ação penal contra o aliado do líder do esquema, mas o ministro relator Messod Azulay Neto negou o pedido. Flávio não praticou nenhum outro ato de defesa registrado no processo.

A aeronave Bell 429, avaliada em R$ 12,9 milhões, é gerida pela empresa One Prime Leader Participações, do advogado Vinicius Peixoto Gonçalves. Registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para serviços aéreos privados, o aparelho é proibido de operar voos comerciais de táxi aéreo.

Questionado, Gonçalves admitiu que o transporte do candidato à Presidência foi concedido sem custos:

“O uso da aeronave ocorreu mediante cessão de uso particular, sem qualquer cobrança de aluguel ou remuneração.”

O advogado declarou ainda que a Fato Gestora comprou o helicóptero em 2019 e que o inquérito federal sobre a empresa acabou arquivado no fim de 2024, após a defesa alegar que o voo flagrado em 2021 era apenas um frete e que os donos não conheciam os operadores do esquema.

A fraude operada pela quadrilha movimentou R$ 38 bilhões no país. Glaidson foi condenado a 19 anos e dois meses de prisão por organização criminosa e corrupção ativa no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, além de responder a processos por crimes contra o sistema financeiro na Justiça Federal.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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