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Alep retira da pauta projeto que aumenta taxas de cartórios 

Pedido de vista na Comissão de Finanças suspendeu tramitação de projeto que alterava cálculos de emolumentos no estado.

Setor produtivo paranaense articulou barreiras contra o reajuste de taxas em cartórios. Foto: Sistema Faep.

Curitiba, PR – A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) retirou da pauta nesta segunda-feira o Projeto de Lei nº 1016/2025, que propõe o aumento de custos nos serviços prestados por cartórios extrajudiciais no estado, como registros de imóveis, escrituras e emissão de certidões. A suspensão da tramitação ocorreu após um pedido de vista apresentado pelo deputado estadual Luiz Fernando Guerra na Comissão de Finanças e Tributação, em atendimento direto a uma reivindicação do G7 Paraná, bloco que agrupa as principais entidades representativas do setor produtivo paranaense.

O texto original enviado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) estabelece a atualização anual das taxas cartorárias com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e define novos critérios para o cálculo de emolumentos. Nos atos que envolvem valores financeiros, o projeto estipula a utilização do maior parâmetro disponível entre o preço da transação, o valor tributário e a base de referência para o recolhimento do imposto de transmissão de bens imóveis.

Para o coordenador do G7 e presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a medida representa um peso insustentável para a economia em um momento de acúmulo de pressões sobre a cadeia produtiva. “É um alívio para os setores produtivos que já vêm sofrendo os impactos da reforma tributária e, agora, a mudança da jornada de trabalho”, afirmou, acrescentando que os custos cartorários já oneram de forma contínua o agronegócio, a indústria, o comércio e o setor de transportes.

As entidades empresariais criticam duramente a oportunidade do avanço da matéria, argumentando que há prioridades mais urgentes no cenário econômico. Os produtores também apontam gargalos específicos no Paraná, como a falta de transparência, a disparidade de preços entre cartórios de diferentes municípios e os valores elevados cobrados no registro e na averbação do georreferenciamento de imóveis rurais.

Com o adiamento, o projeto precisa retomar os debates na Comissão de Finanças e Tributação antes de reunir condições para eventual votação em plenário, sem prazo definido para retornar à pauta da Alep. O G7 Paraná reúne o Sistema FAEP, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a Associação Comercial do Paraná (ACP), a Federação das Associações Comerciais e Empresariais (Faciap), a Federação das Empresas de Transporte de Cargas (Fetranspar) e a Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Fecoopar)

Melody Piñon

Jornalista formada pela Universidade de Holguín (Cuba), atualmente cursando Filosofia na UNILA. Experiência em redação, edição e produção de conteúdo para imprensa escrita, rádio e televisão. Apaixonada pelo jornalismo investigativo, com interesse nas áreas social e econômica.

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