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Eduardo defende fuga de Flávio do Brasil se perder para Lula

Foragido nos EUA após ter prisão decretada pelo STF, Eduardo Bolsonaro admite medo de investigações e prisão do irmão caso seja derrotado nas urnas.

Eduardo Bolsonaro em transmissão nos Estados Unidos, onde vive foragido da Justiça. Foto: Reprodução/Youtube @stevencrowder - 23.out.2026.

Brasília, DF – Com prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e foragido nos Estados Unidos, Eduardo defende fuga de Flávio do Brasil se perder para Lula no segundo turno da disputa presidencial. A manifestação ocorreu a dois dias da votação deste domingo (25), motivada pelo receio declarado de que o senador enfrente apurações policiais e judiciais sem mandato nem imunidade.

A declaração foi dada nesta sexta-feira (23 de outubro) no programa norte-americano Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista de extrema direita Steven Crowder. Durante a transmissão, ao ser questionado sobre o que a família faria diante de um resultado adverso nas urnas, o ex-deputado cassado começou zombando e propôs uma intervenção militar estrangeira para “mandar os fuzileiros navais” ao Brasil.

Crowder interveio, citando protestos nos Estados Unidos e a hipótese de ações armadas para libertar pessoas de detenções. Logo na sequência, Eduardo foi categórico ao prescrever o exílio do candidato:

“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza.”

Para sustentar a recomendação de fuga, Eduardo alegou ter presenciado intimidações no confronto eleitoral televisivo, atribuindo ao petista planos diretos de devassa contra a família:

“Teve uma parte do debate em que o Lula disse: olha, você vai perder a eleição. No ano que vem, você não vai mais ser senador. Não vai ter imunidade. E nós vamos investigar tudo sobre você. Ele disse isso abertamente, no meio do debate. Ele estava ameaçando meu irmão.”

Além de incitar o irmão a escapar do país, Eduardo preparou terreno para deslegitimar a contagem de votos. Mesmo admitindo não possuir indícios de irregularidades, atacou a segurança do modelo de votação adotado desde 1996 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no qual nunca houve registro de fraude comprovada:

“O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema.”

Para fundamentar a narrativa sem provas, o ex-parlamentar evocou uma declaração atribuída ao líder soviético Josef Stálin:

“Como disse Stálin, não importa em quem você vota, a questão é quem conta os votos; esse é o problema. Então, da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve.”

O discurso ignora a fiscalização pública garantida pela Justiça Eleitoral. No encerramento da votação, as urnas emitem imediatamente o Boletim de Urna em papel impresso, fixado nas seções e repassado aos fiscais de todos os partidos. O TSE também publica as informações na rede para que cidadãos e auditores independentes confrontem os números com o painel oficial.

Eduardo também responsabilizou a Suprema Corte por impedir a implementação do recibo em papel, distorcendo o histórico dos projetos no Legislativo:

“E o Congresso aprovou por três vezes o que chamamos de projeto do voto impresso. Mas todas as vezes que aprovamos isso, o Supremo Tribunal Federal disse que era inconstitucional.”

Os registros do parlamento revelam realidade distinta. A proposta de 2002 foi cancelada pelo próprio Congresso Nacional no ano seguinte, sem interferência judicial. O STF julgou inconstitucionais apenas os textos legislados em 2009 e 2015, com sentenças proferidas em 2013 e 2020, para preservar a garantia constitucional do sigilo absoluto do voto.

O alerta de fuga surge enquanto pessoas de confiança do senador desembarcam fora do território nacional. Na semana passada, o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo íntimo de Flávio, chegou a Miami. A Polícia Federal analisa a movimentação financeira e a sociedade entre ambos no âmbito de apurações sobre desvios previdenciários no INSS, apostas on-line e lavagem de capitais. Os dois negam qualquer ilícito.

A recomendação repete a condição jurídica do próprio Eduardo Bolsonaro. Ele vive foragido nos Estados Unidos desde 2025, ano em que perdeu o mandato na Câmara devido ao acúmulo de faltas. Em junho de 2026, a Primeira Turma do STF o condenou por unanimidade a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto por coação no curso do processo, ao usar canais políticos em Washington para pressionar juízes e tentar barrar as ações da trama golpista de Jair Bolsonaro.

Com a condenação transitada em julgado em 3 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes mandou expedir ordem de prisão contra Eduardo no dia 7 e cancelou seus passaportes brasileiros. O novo ataque às instituições e o roteiro de fuga acentuam a polarização do segundo turno, após Flávio registrar 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula na primeira rodada.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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