Foz do Iguaçu, PR – O plano municipal de contenção a eventos climáticos extremos foi apresentado à Câmara de Vereadores nesta segunda-feira (19) pela Defesa Civil de Foz do Iguaçu. A exposição ocorre em meio ao alerta para a chegada do Super El Niño, previsto para atingir pico entre novembro e dezembro de 2026 e seguir ativo até o outono de 2027.
O coordenador do órgão e secretário de Segurança Pública, Paulo Tinoco, listou os riscos imediatos enfrentados pela cidade: tempestades de vento e granizo, transbordamento de bueiros nos bairros, queda de árvores e oscilações no volume das bacias dos rios Iguaçu e Paraná.
As projeções meteorológicas indicam uma elevação média de 3°C na temperatura regional, superando em 1°C o índice de um El Niño habitual. Essa configuração altera a circulação de ventos, retém massas úmidas na Região Sul e desvia frentes frias, enquanto o Norte e o Nordeste enfrentam seca severa.
“Este ano vamos ter esses 3°C, o que pode acarretar fortes chuvas, causando vários desastres no município.”
A audiência dá sequência aos debates iniciados em setembro no encontro “Desafio El Niño – Preparar hoje para proteger amanhã”, promovido pela Defesa Civil estadual. Na ocasião, o presidente da Casa, Paulo Debrito (PL), e a vereadora Marcia Bachixte (MDB) representaram o Legislativo para articular ações voltadas a famílias que vivem em áreas de risco.
No plenário, Tinoco destacou o papel do Fundo Municipal de Calamidade Pública, criado pelo Projeto de Lei nº 71/2026 e promulgado como Lei Municipal nº 5.719/2026 após aprovação parlamentar em julho. A reserva financeira garante caixa próprio para custear socorro e reparos urbanos, sem depender exclusivamente de repasses externos.
“Isso vai permitir que, numa eventualidade, sejamos amparados por verbas e equipamentos e vai ajudar a darmos a resposta com mais rapidez e eficiência. A criação do fundo também vai nos ajudar na prevenção, mitigação e preparação para trabalhar em função da resposta e recuperação do desastre quando já aconteceu.”
O Plano de Contingência local conta atualmente com 21 pontos mapeados que demandam monitoramento contínuo e prevê 15 abrigos municipais cadastrados para receber famílias que precisem deixar suas casas.
“Atualmente existem 21 áreas na cidade que exigem atenção.”
Para reduzir acidentes domésticos e orientar moradores em áreas vulneráveis, o representante da Defesa Civil, Vandro Cezar Arenhardt, explicou que o órgão abriu canais informativos com veículos de imprensa locais.
“Começamos um trabalho intenso de disseminação de informações com a imprensa para conscientizar a população sobre as consequências que o El Niño pode causar.”
As consequências do clima já provocaram perdas patrimoniais recentes na cidade. As chuvas de granizo das últimas semanas levaram a Prefeitura a declarar situação de emergência na Vila Bananal, permitindo que os moradores acessem linhas de apoio financeiro e materiais de reparo.
“Devido à chuva de granizo, conseguimos a declaração de situação de emergência na Vila Bananal. Com isso, a comunidade também poderá ter mais facilidade para acessar recursos e subvenções.”
Durante a sessão, vereadores cobraram soluções para gargalos de infraestrutura. A vereadora Valentina Rocha (PT) apontou alagamentos recorrentes no bairro Porto Meira, com enxurradas na Rua das Rosas que invadem ruas vizinhas. Tinoco afirmou que as vistorias técnicas foram repassadas à Secretaria de Obras para redimensionar a drenagem.
O vereador Adriano Rorato (PL) questionou a estabilidade da arborização na Avenida Juscelino Kubitschek (JK). O secretário respondeu que o volume de chuva registrado em apenas cinco dias deste mês superou médias históricas desde 2022, levando a Secretaria de Meio Ambiente a programar podas e remoções preventivas com concessionárias e equipes de campo.



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