São Paulo, SP – O primeiro debate presidencial direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), transmitido pela TV Band na noite deste domingo (18), foi marcado por forte tensão e trocas diretas de acusações entre os candidatos ao Palácio do Planalto. O encontro expôs o clima de polarização a uma semana da votação decisiva do segundo turno.
O momento de maior atrito ocorreu quando o senador pediu que o petista ficasse ao seu lado no estúdio. Em tom de provocação, o parlamentar ironizou o adversário sobre bens pessoais, gerando uma reação incisiva de Lula, que associou o sobrenome do rival a grupos armados irregulares:
“Fica aqui do meu lado, Lula, fica tranquilo. Tô sem carteira, você não vai poder me roubar.”
“Não quero ficar perto de você, família Bolsonaro, quero distância.” “De miliciano, quero é distância.”
A resposta provocou gritos imediatos na plateia do estúdio da emissora. Diante da agitação, a mediadora e jornalista Adriana Araújo precisou intervir verbalmente para pedir silêncio aos presentes e restabelecer a condução do programa.
O debate deste domingo marcou o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro na televisão nesta eleição, já que ambos não compareceram aos debates realizados ao longo do primeiro turno. Na apuração do dia 4 de outubro, o senador liderou com 56,1 milhões de votos (47,03% dos válidos), enquanto o presidente somou 53,8 milhões (45,16%). O segundo turno acontece no próximo domingo (25), entre 8h e 17h.
O embate ocorreu em meio à divulgação de nova pesquisa do Instituto Vox Brasil, que apontou empate técnico entre os concorrentes. Lula registra 51% dos votos válidos, contra 49% de Flávio Bolsonaro.
No cenário estimulado, que considera a totalidade das respostas, o presidente atinge 46,4% das intenções de voto, diante de 44,6% do senador. Votos brancos, nulos ou nenhum totalizam 5%, enquanto 3,9% dos entrevistados se declaram indecisos. A vantagem de 1,8 ponto percentual fica dentro da margem de erro, fixada em 2,15 pontos para mais ou para menos.
Frente ao levantamento anterior realizado dez dias antes, Lula oscilou de 44,2% para 46,4%, uma alta de 2,2 pontos percentuais. Já Flávio avançou de 42,7% para 44,6%, variando 1,9 ponto. No mesmo intervalo, os indecisos caíram de 9,7% para 3,9%, e os votos em branco e nulo passaram de 3,4% para 5%.
Na sondagem espontânea, sem menção prévia dos concorrentes, Lula lidera com 44,9%, ante 43,8% de Flávio. Quando questionados sobre quem vencerá a disputa, independentemente da própria opção de voto, 46,9% indicaram o presidente, enquanto 41,6% apontaram o parlamentar; outros 11,5% não responderam.
O levantamento também apontou patamares idênticos de rejeição: 45,3% disseram não votar em Lula de jeito nenhum, e os mesmos 45,3% afirmaram não votar em Flávio sob nenhuma hipótese. Rejeitam ambos 4,7%, enquanto 2,4% não rejeitam nenhum. Do total ouvido, 93,5% asseguram que a escolha de voto já é definitiva.
A avaliação da gestão federal acompanhou as variações: a desaprovação ao governo Lula recuou de 51,6% para 49,2% em relação aos dez dias anteriores, e a aprovação subiu de 43% para 46,5%. Os dois índices estão no limite da margem de erro. Não responderam 4,3%. O levantamento presencial ouviu 2.100 eleitores em seus domicílios entre 15 e 17 de outubro, com intervalo de confiança de 95% e registro no TSE sob o protocolo BR-04332/2026.



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