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Inep lança cartilha de redação do Enem 2026 com regras e critérios

Manual detalha as cinco competências avaliadas na prova de texto, as regras de pontuação e as situações que levam à anulação da folha.

Edição deste ano do exame nacional adota novas diretrizes de avaliação e amplia a certificação educacional. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Brasília, DF – Os estudantes inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 já têm acesso ao guia oficial com as diretrizes e critérios de avaliação da prova de texto. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou nesta sexta-feira (18), em sua página na internet, o manual A Redação do Enem 2026 – Cartilha do Participante. O material inclui versões adaptadas com orientações voltadas a pessoas surdas ou com deficiência auditiva, candidatos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e participantes com dislexia.

O exame acontece em dois domingos consecutivos, nos dias 8 e 15 de novembro, em todo o território nacional. A prova de redação será aplicada no primeiro dia de testes. Nela, os candidatos precisam escrever um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas com base no tema indicado e nos textos motivadores da folha de prova.

O documento apresenta a Matriz de Referência da avaliação e traz exemplos reais de textos que alcançaram nota máxima na edição de 2025, acompanhados de análises pedagógicas dos próprios corretores. O objetivo é permitir que os participantes compreendam de forma direta como as bancas atribuem as notas. A publicação estimula o hábito da leitura frequente para expandir o vocabulário, construir repertório sociocultural e qualificar as soluções apresentadas na intervenção social.

O guia detalha as cinco competências exigidas na prova:

  • Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, respeitando a norma culta;
  • Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos de diferentes áreas do conhecimento na defesa da tese, com repertório sociocultural pertinente ao tema;
  • Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos para defender um ponto de vista;
  • Usar mecanismos linguísticos para articular a argumentação, assegurando coesão e encadeamento entre as ideias;
  • Construir uma proposta de intervenção para enfrentar criticamente a questão proposta, respeitando integralmente os direitos humanos.

Na exigência referente aos direitos humanos, a cartilha reforça o compromisso com a dignidade humana, a igualdade de direitos, o respeito às diversidades, o Estado laico, a democracia na educação e a sustentabilidade socioambiental.

O Inep também fez um alerta enfático contra o uso de fórmulas prontas decoradas, classificadas no manual como “repertório de bolso”. O órgão orienta os alunos a evitarem citações genéricas memorizadas sem ligação real com o tema em debate. De acordo com o documento, “é como se fosse um repertório guardado no bolso para ser usado com qualquer tema, mesmo que não seja totalmente adequado ou pertinente”. O órgão explica que um bom texto depende da seleção cuidadosa de argumentos, da conexão fluida entre as partes e da progressão estruturada das ideias em torno de uma tese clara.

A correção envolve dois corretores independentes. Cada um atribui de 0 a 200 pontos para cada uma das cinco competências, resultando em notas individuais de até 1.000 pontos. A nota final corresponde à média aritmética dessas duas correções.

A redação recebe nota zero ou é anulada nos seguintes casos:

  • Fuga total ao tema ou ao assunto proposto;
  • Inserção deliberada de trechos desconectados do texto e sem relação com a discussão;
  • Assinatura ou qualquer elemento que identifique o participante fora do espaço destinado a essa finalidade;
  • Extensão insuficiente, definida como até sete linhas em manuscrito comum ou até dez linhas no sistema Braille;
  • Redação escrita inteiramente ou em parte predominante em idioma estrangeiro;
  • Letra ilegível que impossibilite o trabalho dos dois examinadores.

Linhas copiadas diretamente da prova ou dos textos motivadores são desconsideradas na contagem final da extensão.

O Enem é a principal porta de entrada para o ensino superior no país, servindo como base para programas do governo federal como Sisu, Prouni e Fies, além de seleções de faculdades privadas e de convênios com instituições de Portugal. Desde 2025, o exame retomou a função de certificar a conclusão do ensino médio para maiores de 18 anos que alcancem as notas mínimas estipuladas. Além disso, a edição de 2026 marca a estreia do Enem como ferramenta para aferir a qualidade do ensino médio em todo o país.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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