Puerto Iguazú, Argentina – O Dia Mundial do Jornalista de Turismo, comemorado em 5 de setembro, começou na Tríplice Fronteira. A data oficial foi criada em 2018 durante o 8º Congresso Internacional de Jornalistas e Profissionais do Turismo, sediado no Hotel Meliá, dentro do Parque Nacional Iguazú, em frente às quedas d’água compartilhadas com Foz do Iguaçu.
Cerca de 110 profissionais de comunicação de 14 países — entre eles Brasil, Argentina, Paraguai, Chile, México, Polônia e Colômbia — aprovaram o marco com respaldo da Organização Mundial de Jornalismo de Turismo (OMPT). O objetivo central foi definir parâmetros éticos para a cobertura do setor, diferenciando a apuração jornalística do conteúdo comercial e da propaganda institucional.
O anúncio ocorreu no mesmo território eleito em 2011 como uma das Novas Sete Maravilhas da Natureza, após votação popular internacional ratificada em 2012 pelos governos de Brasil e Argentina. Na prática, o encontro estabeleceu diretrizes para que a cobertura da área não se limite a guias de serviço ou roteiros gastronômicos, mas passe a investigar os impactos econômicos, os direitos trabalhistas e a pressão ambiental gerada pela circulação em massa de viajantes.
A atuação de quem cobre a atividade ganha peso direto na economia das cidades fronteiriças. Na região de Foz do Iguaçu, Puerto Iguazú e Ciudad del Este, a atividade turística dita o ritmo de contratações formais, os preços de moradia e a ocupação do solo. Contudo, o avanço desenfreado de empreendimentos também pressiona áreas de mata nativa e gera empregos sazonais de baixa remuneração. O jornalismo atua justamente para expor essas contradições, sem esconder os problemas sob imagens publicitárias.
No Brasil, a consolidação da data também mobiliza entidades de classe. A presidente da seccional do Paraná da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet-PR), Silvana Canal, explicou que a função da imprensa é assegurar transparência aos relatos:
“O jornalista de turismo tem o compromisso de informar com ética e verdade, para que o leitor encontre no destino aquilo que foi apresentado. Ao fazer um jornalismo responsável, também contribuímos para o turismo do nosso estado e do nosso país. Este é o propósito da associação, que há mais de quatro décadas atua no Paraná”, afirmou a dirigente.
Diante da enxurrada de materiais patrocinados nas redes sociais, a atuação da imprensa na fronteira busca manter o leitor ciente das condições reais das estradas, dos serviços públicos locais e das lutas comunitárias que dividem espaço com os cartões-postais.



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