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Campanha cobra representatividade política de Foz do Iguaçu

Em 2022, votos da fronteira foram pulverizados entre mais de 680 concorrentes a deputado estadual e 520 a federal no Paraná.

Campanha do Codefoz em outdoor de Foz do Iguaçu debate a representação política regional. Foto: Divulgação.

Foz do Iguaçu, PR – O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Foz do Iguaçu (Codefoz) iniciou uma mobilização pública para ampliar a representatividade política de Foz do Iguaçu e dos municípios do extremo-oeste paranaense nas eleições para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A iniciativa conjunta reúne o Conselho de Desenvolvimento de Medianeira (Codemed) e a Caciopar/Micro 1 em torno do lema “Nossa região precisa ter voz”, sem vincular nomes de partidos ou concorrentes específicos.

O movimento responde a um descompasso financeiro e político: embora os 18 municípios do extremo-oeste tenham recolhido R$ 23,2 bilhões em tributos ao longo dos últimos quatro anos, a região recebeu de volta apenas R$ 130 milhões por meio de emendas e verbas de deputados estaduais entre 2019 e 2025. Esse retorno orçamentário reduzido coincide com a baixa quantidade de parlamentares eleitos com base direta na região da fronteira.

Segundo os dados levantados pela campanha, o resultado das urnas em 2022 evidenciou dispersão e esvaziamento de votos no colégio eleitoral regional, composto por 414 mil pessoas na época:

  • Cerca de 82 mil eleitores (20% do total da região) não compareceram para votar.
  • Dos 860 candidatos a deputado estadual em disputa no Paraná, 682 receberam votos de eleitores do extremo-oeste.
  • Dos 600 candidatos a deputado federal no estado, 529 receberam votos nessas 18 cidades.

“Os votos que são inefetivados — abstenções, nulos e em branco —, a votação para quem é de fora e a divisão do eleitorado local entre muitos nomes que se apresentam tornam os candidatos daqui menos competitivos: precisam ter força regional se querem ser eleitos”, disse o presidente do Codefoz, Marcelo Brito. Ele afirmou ainda que uma “representação política menor dificulta a defesa de demandas regionais nas instâncias de decisão, como temos sentido nos últimos anos”.

A mobilização busca alertar que a ausência de porta-vozes da fronteira em Curitiba e Brasília impacta diretamente a captação de recursos para serviços essenciais, a execução de obras de infraestrutura, os investimentos em escolas e hospitais e as medidas de segurança pública.

A campanha utiliza outdoors instalados em pontos estratégicos de Foz do Iguaçu, inserções gratuitas em emissoras de rádio, conteúdos diários nas redes sociais e divulgação nos veículos de imprensa regional. Apenas a ação em outdoors tem público estimado em 221 mil pessoas — cerca de 75% dos moradores do município —, atingindo uma média de 22.159 pessoas por local com frequência de 18,47 visualizações, o que soma 4 milhões de impactos visuais totais.

“A proposta é concentrada na discussão sobre representatividade e nos desafios compartilhados pelos municípios do extremo-oeste, região forte da qual Foz do Iguaçu faz parte”, explicou Marcelo Brito. O dirigente agradeceu aos veículos e entidades que aderiram voluntariamente à veiculação dos materiais.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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