Rap segue ecoando das periferias, dizem artistas de Foz

Rap segue ecoando das periferias, dizem artistas de Foz

Integrantes do Estação Alquimia defendem o Hip Hop como ferramenta de expressão, resistência e transformação social

Racionais MC's e Sabotage são referências fundamentais para o grupo. Foto: Reprodução
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Foz do Iguaçu (PR) – Em uma cidade marcada pela diversidade cultural da tríplice fronteira, o Hip Hop continua encontrando espaço para crescer, ocupar territórios e amplificar vozes que permanecem muitas vezes à margem dos grandes circuitos culturais. Para os integrantes do grupo Estação Alquimia, Mano Vande e Mano Rafão, a essência do Rap permanece ligada às suas origens: denunciar injustiças, compartilhar experiências e representar quem raramente encontra espaço nos meios tradicionais de comunicação.

Em entrevista ao Fronteira Livre, os músicos lembraram que o primeiro contato com o gênero aconteceu ainda na adolescência, influenciados por grupos que ajudaram a construir a identidade do Rap brasileiro, especialmente os Racionais MC’s.

A partir dessa descoberta vieram outras referências importantes, como Facção Central, Gog, Inquérito, Sabotage, Realidade Cruel e A286, artistas que contribuíram para consolidar uma visão crítica sobre a realidade social brasileira e inspiraram a trajetória do grupo iguaçuense.

Para Mano Vande e Mano Rafão, mesmo diante das transformações da indústria cultural e da popularização do gênero, o Hip Hop mantém sua função original.

“O Hip Hop ainda continua sendo a voz dos excluídos para quem entende a mensagem de coração”, afirmam.

A dupla também rejeita análises simplistas sobre a relação entre o Rap e a grande mídia. Na avaliação dos artistas, mais importante do que ocupar determinados espaços é compreender como a mensagem chega ao público.

“Não devemos simplesmente acusar quem foi para a mídia. O importante é observar como isso acontece e o que está sendo transmitido.”

Embora reconheçam avanços na visibilidade do gênero, os músicos afirmam que o preconceito contra o Rap ainda persiste, muitas vezes associado à falta de conhecimento sobre sua dimensão artística, cultural e política.

Apesar das dificuldades, eles avaliam que a produção paranaense atravessa um momento positivo. Mesmo com poucos eventos de grande porte, a cena segue movimentada graças ao trabalho coletivo de grupos, produtores independentes e artistas que mantêm viva a cultura Hip Hop em diferentes cidades do Estado.

“A cena do Paraná é muito forte. Tem muita gente boa representando e fazendo acontecer na medida do possível.”

Após participarem da segunda edição do Rap Tura, os integrantes do Estação Alquimia afirmaram que o objetivo é ampliar a circulação do trabalho para outras regiões do Paraná e fortalecer a conexão com públicos de diferentes cidades.

Enquanto novos projetos são preparados, a mensagem permanece a mesma: utilizar a música como instrumento de comunicação, pertencimento e resistência cultural.

“A correria continua e ainda tem muita coisa boa para acontecer.”


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