Curitiba, PR – Uma equipe multidisciplinar do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná acompanha a recuperação de uma bugio fêmea da espécie Alouatta guariba, resgatada em estado crítico no Paraná. A primata caiu em uma estrada no município de Contenda e chegou à unidade sem conseguir permanecer sentada. Após semanas de tratamento intensivo, o animal voltou a subir em árvores e a interagir com o ambiente.
A equipe veterinária batizou a macaquinha de Esperança. O Centro de Apoio à Fauna Silvestre (CAFS) encaminhou o animal ao Hospital Veterinário da UFPR no dia 2 de março, depois que a primata permaneceu caída por dois dias ao lado do filhote. Durante o transporte, a bugio apresentou convulsões. O filhote morreu em decorrência de pneumonia.
Ao chegar à UFPR, a primata realizou exames físicos e clínicos. Os profissionais identificaram larvas pelo corpo, desidratação severa, fecaloma intestinal e sinais de sepse. Além disso, segundo a residente Thais de Oliveira Moura, do Programa de Residência em Área Profissional da Saúde – Medicina Veterinária, o animal não respondia a estímulos.
Com o avanço do tratamento, a condição geral de saúde melhorou. Mesmo assim, a bugio continuou com fraqueza muscular nos membros anteriores, posteriores e na cauda, além de dificuldade para se movimentar e permanecer sentada. Diante desse quadro, a equipe iniciou sessões de fisioterapia.
Fisioterapia ajudou na recuperação dos movimentos
Segundo a professora Soraia Figueiredo de Souza, responsável pela fisioterapia da primata, o principal objetivo do tratamento consistiu em devolver autonomia e qualidade de vida ao animal.
“Na fisioterapia, o objetivo é sempre devolver a qualidade de vida aos pacientes. Quando pensamos em animais silvestres, é fundamental entender se eles poderão se recuperar total ou parcialmente e se conseguirão viver em novas condições de manejo caso apresentem sequelas, além de terem autonomia para executar suas atividades”, explica.
A equipe concentrou os esforços no fortalecimento da musculatura do tronco, abdômen, cauda e membros. Além disso, os profissionais buscaram reduzir os impactos provocados pela permanência prolongada na mesma posição.
“Com o tratamento, foi possível observar melhora na força e na coordenação das mãos e aumento na força da cauda. A capacidade de permanecer sentada e rastejar veio posteriormente e, mais recentemente, ela já consegue permanecer em pé, subir em árvores e brincar”, afirma Soraia.
Atualmente, a equipe aguarda que a bugio ganhe peso de forma consistente antes da alta definitiva. Os veterinários também precisam confirmar se ela conseguirá executar sozinha todas as funções necessárias, mesmo com possíveis limitações físicas.
Além disso, a aproximação do inverno exige atenção ao crescimento da pelagem, parcialmente removida durante os exames realizados ao longo do tratamento.
Bugio deve seguir para criatório após alta
Segundo Thais de Oliveira Moura, a idade avançada da primata influenciou a definição do destino após a recuperação.
“Por se tratar de um animal idoso, optou-se por encaminhá-la a um criatório, onde poderá ser acompanhada por cuidados humanos e viverá com outros animais da mesma espécie”, comenta a veterinária.
O professor Rogério Ribas Lange coordenou os trabalhos realizados pela equipe multidisciplinar responsável pelos animais silvestres do Hospital Veterinário da UFPR.



















