Santiago, Chile – Uma investigação encoberta realizada pela organização internacional Sinergia Animal expôs a rotina de confinamento extremo, sujeira e mortes em granjas avícolas que fornecem ovos para a rede de supermercados Lider, controlada pela multinacional Walmart Chile. Os registros mostram galinhas amontoadas em gaiolas de metal sem espaço suficiente sequer para abrir as asas, além de aves feridas, sem penas e carcaças recolhidas junto aos próprios ovos comercializados.
Com base nos flagrantes, a entidade iniciou uma nova etapa da campanha “Lider, Escucha!”, exigindo que a gigante do varejo firme um compromisso público com metas e prazos verificáveis para banir os ovos de gaiola de suas prateleiras. As informações detalhadas da apuração e os vídeos das granjas estão no site da iniciativa: liderencrueldad.com.
O cenário registrado pela fiscalização cidadã reflete uma prática industrial dominante no país andino. Conforme a Pesquisa de Produção de Ovos divulgada pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), 96% dos mais de 2,048 bilhões de ovos produzidos no Chile durante o primeiro semestre de 2026 vieram do modelo convencional de baterias de gaiolas. No mesmo período, as redes supermercadistas chilenas venderam mais de 281 milhões de unidades produzidas sob essas condições.
Nas filmagens, cerca de cinco aves disputam espaços minúsculos. Além das lesões e do acúmulo de sujeira, a apuração registrou métodos industriais de descarte e abate: em uma das instalações, galinhas vivas foram atiradas manualmente dentro de contêineres lacrados para sufocamento por dióxido de carbono (CO₂); em outra unidade, o maquinário conduzia os animais para as câmaras de gás por meio de esteiras transportadoras automatizadas.
A produção sem gaiolas não exige necessariamente pastagens externas, mas garante que os animais circulem em galpões com ninhos, poleiros e solo adequado para ciscar e tomar banho de poeira. O manejo é recomendado pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e fundamentado nas Cinco Liberdades de bem-estar animal, marco reconhecido desde 1965 e referendado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para assegurar ausência de fome, dor, medo, estresse térmico e a expressão de comportamentos naturais.
A omissão do Walmart Chile destoa dos padrões cobrados em sua matriz. Nos Estados Unidos e no Canadá, o Walmart e o Sam’s Club possuem acordos firmados para transição a cadeias livres de gaiolas sob auditoria externa. No mercado chileno, a concorrente Cencosud já definiu um cronograma: planeja atingir até 2028 a marca de 100% de ovos livres de gaiolas nas redes Jumbo e SPID, e 50% na bandeira Santa Isabel.
“Estamos pedindo algo concreto: que a Lider assuma um compromisso público para que 100% de seus ovos frescos com casca sejam provenientes de sistemas livres de gaiolas, que estabeleça uma data para alcançar esse objetivo e que exista uma forma de verificar seus avanços”, afirmou a Sinergia Animal.
Para pressionar a subsidiária do Walmart a abandonar o confinamento em gaiolas e dar transparência à cadeia produtiva, ativistas e consumidores mobilizam assinaturas na petição pública disponível na plataforma Change.org.



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