Brasília (DF) — O Governo Federal anunciou um investimento inicial de R$ 3 milhões para a implementação da Estratégia Nacional de Formação de Doulas no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida representa um novo passo na ampliação das políticas de humanização do parto e ocorre poucos meses após a regulamentação da profissão de doula no Brasil.
O anúncio foi realizado durante a 10ª Convenção Nacional de Doulas do Brasil (Conadoula), em Belém, reunindo profissionais da saúde, pesquisadoras, movimentos sociais e representantes de todos os estados brasileiros.
Mais do que a destinação de recursos para capacitação profissional, a iniciativa ocorre em um contexto de crescente debate sobre os direitos das gestantes, a violência obstétrica e a necessidade de tornar o nascimento uma experiência mais segura e acolhedora para mulheres e bebês.
As doulas atuam oferecendo apoio físico, emocional e informativo durante a gravidez, o parto e o período pós-parto. Embora não realizem procedimentos médicos, seu trabalho é reconhecido por contribuir para a redução de intervenções desnecessárias, fortalecer a autonomia das gestantes e ampliar a sensação de segurança durante o processo de nascimento.
A regulamentação da profissão, sancionada neste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio da Lei nº 15.381/2026, consolidou uma reivindicação histórica da categoria. O reconhecimento legal abre caminho para a ampliação da atuação dessas profissionais em maternidades, unidades de saúde e programas públicos voltados à saúde da mulher.
Para especialistas e movimentos que defendem a humanização do parto, o fortalecimento da doulagem também representa uma estratégia de enfrentamento das desigualdades existentes no acesso à saúde materna. Em muitas regiões do país, especialmente nas periferias urbanas, áreas rurais e comunidades tradicionais, mulheres ainda enfrentam dificuldades para receber acompanhamento adequado durante a gestação e o parto.
Durante o evento, representantes do Ministério da Saúde destacaram que a formação de doulas pode contribuir para ampliar o cuidado em territórios historicamente vulnerabilizados. A avaliação é que a presença dessas profissionais fortalece redes comunitárias de apoio e aproxima o sistema de saúde das necessidades concretas das gestantes.
O tema ganha relevância em um país que ainda convive com elevados índices de cesarianas, desigualdades no atendimento obstétrico e denúncias recorrentes de violência obstétrica. Para organizações que atuam na defesa dos direitos reprodutivos, a presença de doulas ajuda a garantir informação, acolhimento e respeito às escolhas das mulheres durante o nascimento.
A décima edição da Convenção Nacional de Doulas também foi considerada histórica por reunir representantes dos 27 estados brasileiros pela primeira vez. O encontro ampliou a participação de profissionais das regiões Norte e Nordeste, onde persistem desafios relacionados ao acesso a serviços especializados de saúde materna.
Com o investimento anunciado e a regulamentação da profissão já em vigor, a expectativa é que a formação de novas doulas fortaleça uma política pública que ultrapassa a dimensão técnica da assistência ao parto. Para defensoras da iniciativa, trata-se de reconhecer que o nascimento envolve não apenas procedimentos médicos, mas também cuidado, acolhimento e respeito à dignidade de mulheres e crianças.



















