Rio de Janeiro, RJ – O senador Flávio Bolsonaro (PL) deu início oficial à sua corrida presidencial neste domingo (16), em Copacabana, em um ato que reuniu cerca de 8,9 mil pessoas. No palanque, vestindo colete à prova de balas e camiseta com a frase “Meu partido é o Brasil”, o parlamentar colocou a segurança pública e os ataques diretos ao governo Luiz Inácio Lula da Silva como eixos centrais de sua fala, em meio a ausências de nomes de peso do seu grupo político e à volta de controvérsias de sua trajetória no Rio de Janeiro.
A estreia da campanha de Flávio Bolsonaro ocorreu sem a presença física do ex-presidente Jair Bolsonaro, de Michelle Bolsonaro, do governador paulista Tarcísio de Freitas e do pastor Silas Malafaia. Ainda assim, a figura do pai guiou a mobilização: o locutor puxou repetidas vezes o coro “Volta, Bolsonaro”, enquanto um áudio do ex-presidente — que cumpre prisão domiciliar após condenação ligada aos atos contra a ordem democrática — tocou no sistema de som. O público também desfraldou bandeiras dos Estados Unidos, mantendo uma ponte com a direita norte-americana articulada por aliados no exterior, como o influenciador Paulo Figueiredo.
No discurso, o senador defendeu o endurecimento contra o crime e propôs classificar milícias como organizações terroristas. “Não temos mais soberania sobre nosso celular, nosso carro, sua bolsa, nossa casa”, afirmou Flávio, criticando ainda as relações diplomáticas do governo federal com Washington. Em contrapartida, a gestão federal mantém em andamento o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio com previsão de R$ 11 bilhões em ações de asfixia financeira de facções, modernização de presídios e apuração de homicídios.
O foco em segurança pública reabre questionamentos sobre o histórico de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Quando deputado estadual, ele concedeu a Medalha Tiradentes ao ex-policial militar Adriano da Nóbrega, então preso por acusação de homicídio. Nóbrega foi apontado mais tarde pelo Ministério Público como integrante da cúpula do Escritório do Crime e investigado no esquema de “rachadinha” do antigo gabinete do parlamentar.
Outro flanco que volta aos holofotes é a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central. O senador confirmou que procurou o banqueiro para buscar recursos para a produção de “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Documentos e mensagens indicaram negociações de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na época), com repasses efetivos estimados em R$ 61 milhões. Flávio nega irregularidades e afirma que buscou patrocínio privado para uma iniciativa particular, sem verba pública. A apuração da Polícia Federal também identificou contatos de Vorcaro com funcionários do Banco Central antes da liquidação da empresa.
A mobilização na orla funcionou ainda como tentativa de aproximação com o eleitorado feminino, segmento em que o senador enfrenta maior resistência nas pesquisas. A preocupação aumentou após declarações de Paulo Figueiredo, que disse em transmissão na internet que mulheres, sobretudo solteiras, “votam muito mal”. No palco, a esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, participou do ato e escreveu na camiseta do marido a frase “O Brasil vai vencer”.
O palanque reuniu ainda o candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar — alvo de uma denúncia de estupro de vulnerável enviada para investigação e segue sem comprovação de crime —, e Douglas Ruas, candidato do PL ao governo fluminense. A disputa no Rio de Janeiro também registrou baixa para o grupo no fim de semana, com o anúncio da saída do senador Romário do PL para apoiar o prefeito Eduardo Paes.



















