Brasília, DF – A Polícia Federal abriu uma apuração preliminar para investigar suspeitas de interferência externa nas eleições brasileiras por meio de repasses financeiros ligados ao governo dos Estados Unidos. A medida atende a uma representação formal apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU), motivada por revelações jornalísticas sobre o direcionamento de recursos federais norte-americanos a grupos que atuam no Brasil contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
O anúncio foi feito pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, neste domingo (4), durante agenda no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), instalado na sede da Polícia Rodoviária Federal, em Brasília, onde forças de segurança monitoram a votação do pleito.
Segundo Rodrigues, a documentação enviada pela AGU já foi despachada para a Diretoria de Inteligência da corporação. O caso ainda tramita em estágio prévio, sem publicação oficial da portaria que instaura o inquérito formal.
“Recebemos representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”, afirmou o diretor-geral.
O pedido de investigação foi provocado por reportagem do jornal britânico The Guardian. Conforme a publicação, uma iniciativa financiada pela administração de Donald Trump com o título “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil” prevê destinar cerca de R$ 5,2 milhões a organizações da sociedade civil em território brasileiro. Esses coletivos têm como bandeira a contestação de decisões judiciais do STF, sob a alegação de censura e abuso de poder por parte da corte. O ministro Alexandre de Moraes é mencionado diretamente no contexto do financiamento.
O projeto destinado ao Brasil faz parte de um pacote mais amplo de 43 concessões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado norte-americano, montante que totaliza US$ 176,9 milhões. Os documentos obtidos pelo periódico britânico não discriminam quais entidades brasileiras receberiam a quantia.
A apuração coloca sob escrutínio o impacto de recursos estrangeiros nas disputas internas do país e na atuação do tribunal, em meio a constantes questionamentos de setores políticos contra as decisões da corte.
Durante a mesma fala, Andrei Rodrigues afastou os temores de atentados ou ameaças físicas contra sedes diplomáticas estrangeiras na capital federal. As embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália chegaram a suspender o atendimento ao público, mas a apuração policial não encontrou fundamentos materiais que justificassem alerta de violência.
“Não comprovamos nenhum elemento concreto que nos apontasse algum risco efetivo contra qualquer embaixada. Os elementos colhidos ontem não indicam nada concreto, nenhum plano que a gente tenha identificado”, disse Rodrigues, referindo-se aos levantamentos realizados pela corporação no sábado.



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