Brasília, DF – A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Arena para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado a jogos de azar e apostas esportivas que movimentou mais de R$ 2 bilhões de forma suspeita entre 2022 e 2025. O principal alvo das apurações é a casa de apostas PixBet, originária da Paraíba, e a PF apura a atuação do advogado Nelson Wilians como operador financeiro do grupo.
Ao todo, os agentes cumprem 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados. A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio e a apreensão de até R$ 1 bilhão em bens e valores ligados aos investigados. Entre os endereços vistoriados está a mansão de Nelson Wilians, em São Paulo.
Segundo a Receita Federal, o esquema operava desde 2012 por meio de empresas abertas em paraísos fiscais, incluindo Costa Rica e Curaçao. O dinheiro arrecadado com as apostas deixava o Brasil sob a justificativa de pagamentos por serviços prestados por essas firmas no exterior. No entanto, os relatórios de inteligência financeira apontam que parte dessas operações não existia ou não tinha atividade econômica real que justificasse o envio das cifras.
A manobra servia para conferir aparência de legalidade aos recursos e ocultar o patrimônio real dos donos. Os investigadores identificaram repasses diretos entre a PixBet e a PixStar, apontada formalmente pela investigação como uma empresa de fachada sediada em Curaçao. A Receita Federal investiga ainda se o dinheiro de origem ilícita serviu para bancar a outorga exigida pelo governo federal para a regularização do funcionamento de apostas no mercado brasileiro.
Nelson Wilians comanda um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do país e acumula 1,4 milhão de seguidores na internet, onde exibe uma rotina de viagens em jatos particulares, carros de luxo e mensagens sobre sucesso financeiro. Esta é a terceira ação policial contra o advogado em menos de um ano: no mês passado, o escritório dele virou alvo de apuração sobre sonegação de R$ 3,8 bilhões com créditos falsos de ICMS; em setembro do ano anterior, ele já havia sido investigado pela PF por suspeita de participação em fraudes contra o INSS.
Em nota, a defesa de Nelson Wilians declarou que a relação do escritório com a PixBet é “estritamente profissional” e decorre apenas da prestação de serviços jurídicos. O comunicado afirma ainda que a atuação do advogado se limita ao exercício da profissão e não se confunde com as atividades comerciais de seus clientes.


















