Foz do Iguaçu, PR – O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) iniciou na última quinta-feira (13) a produção dos primeiros mosquitos que carregam a bactéria Wolbachia para a segunda etapa de soltura do método em Foz do Iguaçu. As primeiras liberações estão previstas para começar no dia 25 de agosto e devem contemplar 28 bairros do município.
A produção teve início após a capacitação das equipes no Núcleo de Produção Regional/Insetário, instalado no Horto Municipal. As cápsulas utilizadas no processo chegam ao núcleo em temperatura ambiente. Cada pacote recebido pelo município contém cerca de 1,2 mil cápsulas, compostas por ovos dos mosquitos e ração.
As cápsulas são colocadas individualmente em recipientes próprios, onde é acrescentada água. Em seguida, os potes são encaminhados para uma sala com temperatura controlada, onde ocorre o desenvolvimento das larvas.
Entre cinco e sete dias, as larvas passam para a fase de pupa. Depois, as pupas são transferidas para a chamada “sala de adultos”, onde permanecem por mais dois a cinco dias, até que os mosquitos estejam prontos para a soltura. Um dia antes da liberação, a água dos recipientes é retirada. Para a primeira soltura da nova etapa, estão sendo produzidos 911 potes.
Paralelamente à produção, o CCZ realiza uma pesquisa de pré-liberação com moradores dos bairros que serão contemplados. As equipes orientam a população, verificam o nível de conhecimento dos moradores sobre o método e preparam as comunidades para o início das solturas.
A segunda etapa dá continuidade ao trabalho iniciado em 2024, quando o método contemplou cerca de 50% do território municipal. Com a nova fase, a tecnologia Wolbachia será ampliada para 100% do território de Foz do Iguaçu.
CCZ reforça importância da prevenção
A supervisora técnica do Centro de Controle de Zoonoses de Foz do Iguaçu, Renata Defante Lopes, afirma que a redução dos casos de dengue não elimina a necessidade de manter as medidas de prevenção e destaca a participação da população no controle dos criadouros.
“Atualmente, nós estamos com 3.400 casos notificados de dengue. É um período mais tranquilo, mas ainda assim estamos em alerta. Precisamos do apoio da população e que os moradores façam a sua parte. Por mais que estejamos implantando essa segunda etapa do método Wolbachia, ele é uma estratégia complementar, e precisamos que a população cuide dos seus imóveis e não deixe recipientes com água parada”, afirma.
Do total de casos notificados, 35 foram confirmados. Até o momento, não houve registro de óbitos por dengue no município.
A nova etapa de soltura abrangerá os bairros Jardim Alvorada, Jardim Bourbon, Jardim Maracanã, Itaipu B, KLP, Porto Belo, Três Bandeiras, Vila Portes, Jardim Ipê, Itaipu A, Campus do Iguaçu, Jardim Lancaster, Jardim Carimã, Parque Monjolo, Porto Meira, Jardim Panorama, Jardim São Roque, Morumbi (parcial), Cidade Nova, Centro Cívico, Náutica, São Roque, Centro, Três Fronteiras, Portal da Foz, Mata Verde, Jardim Cataratas e Lote Grande.
Como funciona o Método Wolbachia
O Método Wolbachia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. A bactéria é transmitida aos mosquitos durante a reprodução.
Quando os chamados Wolbitos são liberados em campo, eles se reproduzem com os mosquitos locais. Seus descendentes passam a carregar a Wolbachia, contribuindo para reduzir progressivamente a circulação de mosquitos capazes de transmitir doenças como a dengue.
Segundo as informações do programa, o método é seguro para pessoas, animais e para o meio ambiente e funciona como uma ferramenta complementar às ações de eliminação de criadouros do mosquito.
Os municípios contemplados pela tecnologia são definidos pelo Ministério da Saúde. A iniciativa é conduzida pela Fiocruz, com apoio do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná e da Itaipu Binacional, e conduzida pela Wolbito do Brasil.
















