Conab prevê safra de grãos em 360,8 milhões de toneladas

Conab prevê safra de grãos em 360,8 milhões de toneladas

Avanço de 2,4% na safra de grãos é puxado pela expansão da área plantada de soja e milho, enquanto trigo e arroz registram retração.

Colheita de grãos no Brasil deve crescer 2,4% impulsionada pela expansão da área plantada de soja e milho. Foto: Reprodução/Internet.
WhatsApp
Telegram
Facebook
Email
LinkedIn

Brasília, DF – A produção brasileira de grãos deve alcançar 360,8 milhões de toneladas na safra 2025/26, o que representa um avanço de 2,4% — ou 8,5 milhões de toneladas a mais — em relação à temporada anterior. Os dados constam do 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira (13) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O crescimento da oferta no país será impulsionado principalmente pelo aumento de 2,1% na área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares. Já a produtividade média das lavouras está prevista em 4.322 quilos por hectare, mantendo-se em patamar próximo ao registrado no ciclo 2024/25. A estabilidade no rendimento indica que a expansão da colheita decorre da incorporação de novas áreas ao cultivo, mantendo a produção sensível às oscilações do clima e aos custos de insumos como fertilizantes, defensivos e sementes.

A projeção reforça a perspectiva de ampla oferta das principais commodities agrícolas brasileiras, o que deve impactar os preços, as margens dos produtores, a demanda por armazenagem, a logística de transporte e a concessão de crédito rural ao longo de todo o ciclo.

Soja e milho sustentam o volume total

A soja se consolida como o principal produto agrícola do Brasil e deve atingir uma produção de 180,5 milhões de toneladas na safra 2025/26. A oleaginosa responde por cerca de metade de toda a safra nacional de grãos e segue como o motor das exportações, da geração de receita no campo e da demanda por fretes e processamento.

O milho aparece na segunda posição, com colheita projetada em 143 milhões de toneladas. No entanto, a Conab faz um alerta para os impactos climáticos adversos registrados desde junho sobre as lavouras do cereal no Nordeste — com prejuízos concentrados no nordeste da Bahia, em Sergipe e em parte de Alagoas. Eventuais revisões para baixo nessas regiões podem alterar a disponibilidade regional e elevar a necessidade de transbordo de grãos vindos de outras praças produtoras.

A produção de algodão em caroço foi estimada em 5,8 milhões de toneladas, o que equivale a 4,1 milhões de toneladas de pluma, mantendo o país entre os líderes do fornecimento global da fibra.

Na avaliação das culturas voltadas ao consumo interno, o feijão (somando-se as três safras) deve totalizar 3 milhões de toneladas, um recuo de 3,2% em comparação com o período anterior. Apesar da queda, a estatal avalia que o volume é suficiente para garantir o abastecimento doméstico, afastando o risco de pressão estrutural sobre a oferta.

Para o arroz, a previsão é de 11,1 milhões de toneladas. A retração é atribuída à menor área destinada ao plantio, que sofreu uma redução de 14% em relação ao ciclo passado. Mesmo com o campo reduzido, a colheita estimada atende à demanda interna e deve manter o equilíbrio na trajetória de preços ao consumidor final.

Trigo tem retração expressiva nas culturas de inverno

Entre os cultivos de inverno, o trigo apresenta a queda mais acentuada do levantamento. A produção estimada é de 5,8 milhões de toneladas, volume 26,2% menor do que o obtido na safra de 2025. De acordo com a Conab, a retração está diretamente ligada à diminuição de 20,4% na área semeada.

A menor colheita do cereal deve ampliar a necessidade de importações para suprir o mercado nacional, a depender do consumo interno, dos estoques e das cotações internacionais, impactando diretamente os custos da indústria de alimentos, fretes e câmbio.

Apesar de a projeção apontar para uma safra recorde e robusta, a composição do crescimento é desigual. O avanço é puxado por soja, milho e algodão, enquanto trigo, arroz e feijão apresentam encolhimento de área ou produção.

Para o acompanhamento dos próximos meses, analistas e investidores devem monitorar a evolução do clima nas áreas produtoras, revisões de produtividade, flutuações nas cotações internacionais das commodities, oscilação cambial, custos de insumos e a capacidade logística de armazenagem e escoamento.


Deixe um comentário

Notícias relacionadas

Siga-nos

Últimas Notícias

Rolê na Fronteira

Turismo

Câmbio

Dólar (USD) Carregando...
Peso Argentino Carregando...
Guarani (PYG) Carregando...
Atualização --

Inscreva-se em nossa NEWSLETTER