Vinhedo, SP – Dois anos após a queda do voo 2283 da Voepass Linhas Aéreas, a tragédia que provocou a morte de 62 pessoas no interior paulista ganha novos desdobramentos com o lançamento do documentário “Voepass 2283 – A Queda”. Produzida pelo Jornalismo da Globo e lançada na plataforma Globoplay na sexta-feira (7), a obra reúne documentos, depoimentos inéditos de familiares das vítimas e relatos contundentes de ex-funcionários sobre a rotina de manutenção e a cultura de segurança da empresa.
O lançamento do projeto coincide com a conclusão de etapas decisivas das investigações oficiais. Poucas semanas antes da estreia da série documental, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentou seu relatório final, apontando uma combinação de fatores técnicos, operacionais e organizacionais na queda da aeronave. No âmbito criminal, a Polícia Federal concluiu o inquérito sobre o caso e indiciou 16 pessoas.
Com direção dos jornalistas Thiago Guimarães e Clarissa Cavalcanti, a série possui três episódios e utiliza recursos de inteligência artificial, simuladores de voo e dados técnicos para reconstituir a dinâmica do acidente. O voo era operado por um modelo ATR 72-500 que fazia a rota entre Cascavel, no Paraná, e o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (SP), quando perdeu a sustentação e caiu em um condomínio residencial em Vinhedo no dia 9 de agosto de 2024.
Segundo o diretor Thiago Guimarães, a investigação própria conduzida pela equipe de jornalismo esteve alinhada às conclusões dos órgãos oficiais, permitindo aprofundar as causas do desastre sem perder o foco na dimensão humana. “A gente consegue fazer um mergulho no lado humano da tragédia”, afirmou em entrevista ao programa CBN São Paulo.
Estrutura investigativa e denúncias sobre manutenção
A narrativa da série foi dividida em três eixos temáticos para examinar o histórico da aeronave e os procedimentos da companhia aérea antes da decolagem:
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Primeiro episódio: Concentra-se nos momentos finais do voo e nas severas condições de formação de gelo enfrentadas pela tripulação na rota entre o Paraná e São Paulo.
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Segundo episódio: Aborda o histórico de manutenção da aeronave e a rotina operacional da Voepass, trazendo relatos de ex-funcionários que descrevem falhas recorrentes e condições inadequadas de trabalho.
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Terceiro episódio: Investiga a cultura de segurança corporativa da empresa e acompanha a mobilização das famílias das vítimas na busca por justiça e responsabilização criminal dos envolvidos.
As conclusões do relatório final do Cenipa reforçam a abordagem do documentário ao indicar problemas operacionais e falhas repetitivas no sistema de degelo do avião, que já haviam sido sinalizados em voos anteriores ao dia do acidente. Nos depoimentos à produção, ex-trabalhadores da empresa utilizaram termos duros para detalhar o cotidiano da frota e a gestão de segurança da companhia.
Memória e exibição na TV aberta
A produção combina imagens inéditas do trabalho de peritos e bombeiros no local do impacto a registros da aeronave ainda no pátio do Aeroporto Regional de Cascavel, antes do embarque. A presença das famílias resgata as histórias das 62 pessoas a bordo e documenta a criação de associações para acompanhar o andamento dos processos judiciais e cobrar mudanças na regulação da aviação civil brasileira.
O projeto marca também um marco institucional para o streaming da emissora. A Globo informou ter ultrapassado a marca de 100 documentários originais produzidos no Globoplay ao longo de seis anos de investimento no formato jornalístico investigativo.
Além da disponibilidade integral para os assinantes da plataforma, o primeiro episódio da série será exibido pela TV Globo na programação de TV aberta na madrugada de sábado (8) para domingo, logo após a exibição do programa Altas Horas.




















