Deputada dos EUA condena resgate da Doutrina Monroe por Rubio

Deputada dos EUA condena resgate da Doutrina Monroe por Rubio

Parlamentar Delia Ramirez afirmou que a política externa de Washington gera instabilidade e pobreza na América Latina.

A deputada norte-americana Delia Ramirez criticou o discurso de hegemonia sobre a América Latina. Foto: Reprodução/Delia Ramirez.
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Washington, EUA – A deputada democrata Delia Ramirez criticou publicamente o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, após a divulgação de um vídeo institucional do Departamento de Estado no qual o governo americano reafirma a hegemonia sobre o continente americano e resgata os princípios da chamada Doutrina Monroe — apelidada no ambiente trumpista de “Doutrina Donroe”. A parlamentar classificou a produção divulgada na rede social X como uma “peça barata de propaganda imperialista”.

“O legado da Doutrina Monroe é a instabilidade política, pobreza, imigração extrema e colonialismo através da América Latina e do Caribe”, afirmou Ramirez, que é filha de imigrantes da Guatemala. “Apesar do que os belicistas querem que você acredite, a Doutrina Monroe mina as parcerias necessárias para enfrentar nossos desafios complexos. Precisamos mudar de rumo”, enfatizou a parlamentar.

O vídeo do Departamento de Estado foi apresentado pelo embaixador norte-americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera, e estruturado a partir de uma declaração de Donald Trump durante comício político, no qual afirmou que “a dominância norte-americana no hemisfério ocidental nunca será questionada de novo”. O uso da imagem de Cabrera ocorre em meio às recorrentes declarações de Trump sobre o Canal do Panamá, além de manifestações sobre a incorporação ou controle de territórios e recursos estratégicos, como o Canadá, a Groenlândia, o Golfo do México e as reservas de petróleo da Venezuela.

A iniciativa de Rubio insere-se em um movimento de endurecimento da política externa americana para a região, que inclui a defesa de intervenções na Venezuela, o cerco econômico e naval a Cuba — com restrições ao suprimento de combustível —, e ingerências em processos eleitorais em países latino-americanos, como Colômbia e Peru. Em junho, o secretário da Guerra, Pete Hegseth, já havia declarado que a diretriz imperialista estava “de volta em efeito total”, rebatizando a política como “Doutrina Donroe”, em alusão direta a Donald Trump.

Historicamente, a Doutrina Monroe foi sintetizada pelo lema “A América para os americanos”, servindo de respaldo para intervenções militares, apoio a golpes de Estado e dominação econômica no continente ao longo dos séculos XIX e XX. Críticos e historiadores relembram que a expansão territorial americana custou a perda de metade do território mexicano e resultou em décadas de ocupações militares promovidas por interesses corporativos e financeiros.

Em contrapartida à postura de Washington, a influência econômica dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental enfrenta o avanço diplomático e comercial da China, que se consolidou como a principal parceira comercial e investidora em infraestrutura de diversas nações soberanas da América Latina e do Caribe.


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