Brasília, DF – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil “não será governado por controle remoto a partir de uma capital estrangeira” e defendeu uma resposta firme do Estado diante do que classificou como uma nova onda de ofensivas externas e campanhas de desinformação. As declarações foram feitas no artigo intitulado “Mitos e verdades da diplomacia na era da desinformação”, publicado no jornal Correio Braziliense.
No texto, o chanceler faz uma avaliação dura do atual momento das relações internacionais e aponta a ocorrência de atitudes inéditas e violentas por parte de chefes de Estado. Vieira também acusou brasileiros que atuam no exterior de incentivar ações que prejudicam os interesses nacionais, caracterizando a conduta como uma ruptura em relação aos padrões históricos da diplomacia.
“Trata-se de comportamentos grosseiros e sem precedentes de líderes estrangeiros, com ataques frontais à nossa soberania e ao nosso regime democrático, típicos da ‘Hora dos predadores’, que devem ser tratados e repelidos como tal”, afirmou o ministro. Em sua análise, há um movimento orquestrado em que oponentes “tentam bater no Brasil por meio de autoridades estrangeiras e depois esconder a mão”, em alusão à atuação de integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
O diplomata denunciou ainda a tentativa dessas vertentes de inverter a responsabilidade pelas agressões que o país vem sofrendo. Segundo o ministro, os mesmos grupos que anteriormente buscaram minimizar as tentativas de golpe de Estado no Brasil agora tentam atribuir ao próprio governo brasileiro a culpa pelas investidas hostis oriundas do exterior. Conforme Vieira, o uso sistemático da desinformação busca desestabilizar as instituições democráticas e promover a ingerência externa nos processos eleitorais do país.
O chefe do Itamaraty enfatizou que o alcance desses ataques extrapolou o Poder Executivo e a Presidência da República, atingindo diretamente o Judiciário. Diante desse cenário de transformações intensas nas redes sociais e na geopolítica global, ele defendeu a necessidade de uma postura ativa da diplomacia nacional para salvaguardar a autonomia do país.
“O mundo mudou, mudou para pior nas redes e nas relações internacionais, e, nessas horas, não se pode ser ingênuo nem agir unicamente com base em métricas e padrões do passado”, ressaltou o chanceler, argumentando que o tradicional princípio da proporcionalidade nas relações internacionais não equivale à passividade ou falta de resposta.
Ao projetar a atuação das instituições perante esse ambiente de tensão, Vieira assegurou que a diplomacia brasileira responderá na altura das investidas e sem afastar-se do rigor técnico que historicamente caracteriza o órgão.
“O brasileiro conta com instituições democráticas fortes para a defesa do interesse nacional em tempos de conflito, e o Itamaraty não deixará de reagir, sempre com profissionalismo, às manobras de desinformação e às grosserias de candidatos a predadores e seus apoiadores locais”, declarou.
Por fim, o chanceler destacou que o prestígio e o reconhecimento internacional consolidados pelo Itamaraty ao longo de gerações decorrem justamente da habilidade de compreender com precisão as transformações sociais e o cenário global, reafirmando o compromisso da instituição com a proteção da soberania e da democracia brasileira.




















