Novo governo de Keiko Fujimori tem 15 ministros investigados

Novo governo de Keiko Fujimori tem 15 ministros investigados

Declarações juramentadas revelam processos por corrupção, lavagem de dinheiro e peculato entre os integrantes do novo governo de Keiko Fujimori indicados para o primeiro escalão no Peru.

A) Keiko Fujimori assume Presidência do Peru sob controvérsia. Foto: Ministerio de Comercio Exterior y Turismo
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LIMA, PERU — A presidente Keiko Fujimori montou uma equipe ministerial que já nasce sob forte desgaste político. Das 19 pastas do novo governo de Keiko Fujimori, 15 são ocupadas por nomes que declararam ter antecedentes, investigações em andamento ou processos na Justiça por diversos crimes. A lista inclui desde o chefe do gabinete ministerial até titulares de áreas estratégicas como Meio Ambiente, Saúde e Relações Exteriores.

As informações constam nas próprias declarações juramentadas entregues pelos ministros ao tomarem posse. A própria presidente assumiu o poder nesta semana após disputar as eleições de 2011, 2016 e 2021, tornando-se a primeira mulher a comandar o país após ter ficado presa preventivamente em um processo por corrupção.

No topo da estrutura governamental, o primeiro-ministro e vice-presidente Luis Galarreta acumula apurações por lavagem de dinheiro, abuso de autoridade e organização criminosa. Em seu documento oficial, o chefe da equipe também registrou ter respondido anteriormente a procedimentos por suspeita de fraude eleitoral e nomeação ilegal, conforme dados divulgados pelo jornal La República.

As acusações que atingem o primeiro escalão abrangem um amplo espectro do Código Penal. Além de suspeitas de corrupção e peculato, constam registros de estelionato, furto, falsificação e lesões corporais entre os indicados.

O caso de maior volume judicial é o do ministro do Meio Ambiente, Vladimiro Huaroc, que declarou responder a 51 investigações na Justiça e no Ministério Público. O histórico do titular da pasta ambiental reúne nove procedimentos por desobediência e abuso de autoridade, além de apurações por corrupção, conluio, peculato, negociação incompatível, usurpação de função pública, nomeação ilegal, destruição de provas, degradação de áreas agrícolas, lesões corporais e furto.

Outras pastas de peso também concentram alto volume de processos. O ministro de Energia e Minas, Guillermo Shinno, informou ser alvo de 20 investigações. Já no Ministério da Produção, Juan Requejo soma dez procedimentos, mesmo número registrado pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Marco Vinelli. Na Educação, o ministro José Chang declarou responder a oito investigações.

A mancha jurídica atinge ainda a condução da política externa e dos serviços essenciais. O ministro das Relações Exteriores, Carlos Espá, declarou antecedentes por corrupção passiva. No Ministério do Interior, César Astudillo responde por suposto peculato, enquanto no Ministério da Habitação, Mauricio Arnillas González informou antecedentes por estelionato e uma condenação por lesão culposa.

Completam a lista de investigados o ministro da Saúde, Luis Dyer Fernández, por falsificação de documentos e falso testemunho; o titular dos Transportes, Rafael Rey, por crime contra a fé pública; e o ministro do Trabalho, Juan Sheput, investigado por tráfico de influência e conluio agravado. O ministro da Justiça, César Álvarez, também integra o grupo, mas não detalhou os motivos de seus processos no documento público.


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