PT oficializa candidatura de Lula à reeleição em SP

PT oficializa candidatura de Lula à reeleição em SP

Candidato ao quarto mandato condiciona apoio eleitoral ao combate à violência contra a mulher e promete travar embate sobre emendas parlamentares com o Congresso.

Lula discursa em convenção partidária em São Paulo Foto: Ricardo Stuckert
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SÃO PAULO, SP — O Partido dos Trabalhadores oficializou a candidatura de Lula à reeleição para o Palácio do Planalto em convenção nacional realizada no Expo Center Norte, na Zona Norte da capital paulista. A chapa repete a aliança vitoriosa de 2022 ao lado de Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice-presidente, cujo nome já havia sido homologado na última quarta-feira em Brasília. Aos 80 anos, o atual presidente busca seu quarto mandato presidencial.

Diante de militantes e aliados, o discurso principal durou mais de uma hora e foi marcado por compromissos diretos e por um pedido explícito de desculpas. “Eu peço desculpas pelos erros que cometi, peço desculpas pelas coisas que eu não fiz, mas eu quero dizer para vocês que o nosso governo está dando a vocês armas, argumentos que vocês nunca tiveram na história desse país. Vocês têm um governo que entregou mais do que prometeu e que vai entregar muito mais”, declarou.

Cinco eixos para o quarto mandato

A candidatura de Lula à reeleição estabeleceu cinco prioridades centrais para um eventual novo governo: resolução dos problemas da educação, criação de um programa para idosos, fortalecimento da indústria de defesa, controle nacional sobre terras raras e avanço na transição energética. Sobre o ensino, o presidente enfatizou a motivação pessoal: “Sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel da educação no país”, pontuando ainda que “é mais barato investir em educação do que manter alguém na prisão”.

Na pauta geracional, defendeu apoio público focado no envelhecimento da população. “Nossa população envelheceu e nem sempre o filho que ela pariu cuida dela como ela cuidava dele. Nós precisamos criar um programa para o idoso. Mas não para ele ficar em um canto parado, é para ele até namorar, se encontrar uma parceira”, afirmou. No setor estratégico de minérios críticos, mandou um recado sobre soberania: “Isso é patrimônio do povo brasileiro e quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro. Nem chinês, nem americano, nem francês vão meter o dedo nas nossas terras raras”.

Defesa, governabilidade e combate à violência contra a mulher

No campo militar e de segurança internacional, a candidatura de Lula à reeleição cobrou postura assertiva do campo progressista. “Quero pedir para a esquerda parar com essa bobagem de achar que a gente não tem que se preocupar com a defesa. Quero estar preparado para que ninguém invada esse país para levar o presidente, para ninguém ousar se fazer de besta conosco”, sustentou, citando o caso do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos em janeiro.

A governabilidade e as finanças políticas também receberam críticas duras. O presidente adiantou que pretende enfrentar o sistema de distribuição de recursos públicos no Congresso: “Minha quarta presidência é pra mudar muita coisa. Vai ter briga com emenda parlamentar”, avisou. Ele também atacou o formato do fundo partidário: “Esse negócio de fundo partidário não me agrada, está levando os partidos à promiscuidade. Fez todos nós iguais”.

Antes de sua fala, Lula fez questão de passar o microfone para a primeira-dama Janja Lula da Silva, cobrando maior espaço feminino no ato. Em seu discurso, foi contundente ao tratar do machismo: “Deus levou sete dias para fazer o mundo e ainda não acabou, porque só vai acabar o dia em que a gente acabar com gente ruim no mundo, sobretudo com a violência de homem contra a mulher”. E completou: “O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim ou ele bate em uma mulher. Quem bate numa mulher não precisa votar em mim”.

Cenário eleitoral, apoios regionais e encerramento de carreira

Comparando suas disputas eleitorais a edições da Copa do Mundo — lembrando que disputou em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2022 —, o presidente indicou que este será seu último pleito. “Se eu ganhar, são quatro copas. Não vou disputar o penta, porque após terminar essa quero tirar férias para aproveitar mais 20 anos”, disse, afirmando estar “inteiraço” aos 80 anos graças aos exercícios físicos.

A candidatura de Lula à reeleição reúne apoio de PSB, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede. O evento contou com discursos de Edinho Silva, presidente do PT, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad (PT), candidato ao Governo de SP, além de João Campos (PSB), candidato ao Governo de Pernambuco. A ex-prefeita de Contagem e candidata ao Senado por Minas Gerais, Marília Campos (PT), esteve no evento após publicar vídeo nas redes sociais confirmando presença. A reportagem procurou a assessoria de Patrus Ananias (PT), candidato ao Governo de Minas apoiado por Lula que não foi identificado na transmissão oficial, mas não obteve retorno.

O ato contou ainda com a presença da deputada federal Benedita da Silva (PT), Kiko Celeguim (coordenador da campanha em SP), Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (ambas candidatas ao Senado por SP), Guilherme Boulos (ministro da Secretaria-Geral), Márcia Lopes (ministra das Mulheres), o senador Rogério Carvalho (PT) e o ex-senador Aloizio Mercadante. O programa de governo detalhado será divulgado a partir do dia 16 de agosto, com o início oficial da propaganda eleitoral.


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