Acordo coletivo com a Vale garante fim da escala 6×1 no país

Acordo coletivo com a Vale garante fim da escala 6×1 no país

Negociação intermediada pelo Ministério do Trabalho impõe limite de 40 horas semanais e assegura dois dias de folga para mais de 100 mil trabalhadores.

Trabalhadores beneficiados pelo fim da escala 6x1. Foto: Divulgação/Vale.
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BELO HORIZONTE, MG — A mineradora Vale fechou um acordo para eliminar de forma definitiva a escala 6×1 em todas as suas operações no Brasil. A medida foi assinada em Belo Horizonte após mediação do Ministério do Trabalho, reunindo a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e sindicatos da categoria. Com a decisão, o acordo coletivo com a Vale estabelece a jornada máxima de 40 horas semanais e garante dois dias de descanso para mais de 100 mil trabalhadores, adotando um sistema de revezamento de pessoal para proteger a saúde das equipes.

Fim do desgaste e meta para terceirizados

Apesar de formalizado em Minas Gerais, o termo tem validade em todo o país. A mineradora já aplicava escalas reduzidas em determinadas áreas, como o modelo 5×2, mas o novo documento garante juridicamente que nenhum funcionário do grupo ultrapasse as 40 horas semanais. O objetivo principal é assegurar qualidade de vida aos colaboradores e antecipar uma transição que ainda está em discussão no Congresso Nacional.

A conquista trabalhista também traça metas para as entidades de classe. A prioridade dos sindicatos agora é levar esse mesmo formato de jornada para as empresas terceirizadas que prestam serviços à multinacional, com foco especial nos setores de engenharia e construção civil, que possuem datas-base e negociações próprias.

Corrida com o Congresso e votação em Brasília

A iniciativa da empresa ocorre no mesmo momento em que o Poder Legislativo discute alterações na jornada de trabalho permitida pela CLT. Três propostas principais tramitam em comissões especiais na Câmara dos Deputados: o Projeto de Lei 1838/26, enviado pelo governo federal para reduzir a semana para 40 horas sem corte salarial; a PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), focada no fim da escala 6×1; e a PEC do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que propõe uma redução gradual das horas ao longo dos anos.

A decisão da multinacional em se antecipar às leis federais foi destacada pelo governo. Segundo Carlos Calazans, superintendente regional do Trabalho em Minas Gerais, a adesão voluntária da companhia mostra que a pauta é viável na prática antes mesmo de uma aprovação final no Congresso.

No campo sindical, o acordo é visto como um passo importante para manter profissionais no setor. Jairo Nogueira, presidente da CUT Minas, pontua que o corte de horas ajuda a reduzir a rotatividade nas minas e fábricas, atraindo principalmente trabalhadores jovens que buscam equilíbrio entre carreira e vida pessoal.

O peso da mineradora na economia também foi apontado como fator de mudança para o mercado. André Viana Madeira, presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, afirmou que o tamanho da empresa serve como ferramenta de pressão para que outros setores adotem a redução de jornada.

Pela diretoria da mineradora, o diálogo direto com a categoria foi indicado como o caminho para resultados concretos. João Franceschini, diretor de Relações Trabalhistas da Vale, ressaltou que o fortalecimento da negociação coletiva traz ganhos para os dois lados, gerando benefícios práticos que vão além do salário no final do mês.


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