PF avalia Flávio Bolsonaro na lista prateada da Interpol

PF avalia Flávio Bolsonaro na lista prateada da Interpol

Inquérito no STF investiga se verba da cinebiografia foi enviada ao exterior para custear despesas nos Estados Unidos e abastecer o projeto eleitoral de 2026.

Supremo Tribunal Federal analisa inquérito sobre repasses financeiros. Crédito: Sergio Lima/AFP
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BRASÍLIA, DF — A Polícia Federal (PF) avalia solicitar a inclusão do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na difusão prateada da Interpol, mecanismo de cooperação internacional criado para mapear, localizar e bloquear bens e recursos financeiros mantidos no exterior. A medida insere-se no âmbito do inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no qual a corporação investiga o repasse de R$ 61 milhões efetuado por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para a produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A principal hipótese trabalhada pelos peritos da Polícia Federal indica que a maior parte do montante não foi empregada na produção cinematográfica, tendo sido remetida para fora do Brasil. O escopo das apurações busca verificar se os recursos transferidos ao exterior tiveram como finalidade o financiamento de projetos da campanha presidencial de 2026 ou o custeio da permanência do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Cruzamento com emendas e desdobramentos no exterior

Além da rota do dinheiro do filme, a Polícia Federal abriu uma nova frente investigativa e passou a cruzar os R$ 61 milhões repassados pelo ex-banqueiro com as emendas parlamentares apresentadas por Flávio Bolsonaro no Senado. Os investigadores analisam se houve contrapartida política ou se as indicações de verbas públicas favoreceram negócios do grupo do Banco Master em troca dos aportes na cinebiografia.

A apuração sobre a movimentação transnacional também foi ampliada com o monitoramento de transferências financeiras entre o Brasil e o estado do Texas, nos Estados Unidos, incluindo no radar das investigações o publicitário Thiago Miranda. De acordo com a PF, o pedido de inclusão do senador na lista prateada da Interpol será acionado formalmente caso a cooperação jurídica internacional tradicional se mostre insuficiente para rastrear a totalidade do patrimônio.

Ausência de prestação de contas e contradições

A sinalização para o uso do sistema internacional de ativos ganhou força diante da ausência da prestação de contas da produção cinematográfica, promessa feita pelo parlamentar para o mês de maio e que não se concretizou. Por esse motivo, a corporação pretende solicitar a inclusão de Daniel Vorcaro no mesmo mecanismo da Interpol para identificar contas bancárias e imóveis adquiridos fora do país.

A investigação também reuniu registros que contradizem as justificativas iniciais prestadas à imprensa. Ao ser questionado em reportagens sobre sua relação com Daniel Vorcaro, o candidato ao Planalto buscou minimizar a proximidade com o empresário. Contudo, mensagens interceptadas pela Polícia Federal e anexadas aos autos do STF comprovaram conversas diretas sobre as apurações financeiras, incluindo uma declaração em que o senador afirma ao ex-banqueiro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”. O inquérito prossegue sob relatoria de André Mendonça no STF.


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