RIO DE JANEIRO, RJ — A garantia de acesso e a inovação nos tratamentos de saúde pública ganham um novo capítulo no país. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica MSD assinaram um memorando de entendimento para viabilizar a futura produção nacional de um novo remédio contra o HIV. O acordo foi oficializado nesta terça-feira durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, realizada na capital fluminense, e projeta a transferência de tecnologia para o ecossistema farmacêutico estatal brasileiro.
O insumo sob análise é o Alimatravir (MK-8527), voltado para a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), método preventivo administrado antes de um eventual contato com o vírus para impedir a infecção das células do sistema imunológico. O medicamento, atualmente sob a promissora classe dos inibidores da translocação da transcriptase reversa análoga de nucleosídeo (NRTTI), atua diretamente no bloqueio da replicação do retrovírus.
Produção nacional do novo remédio contra o HIV
Para ingressar no sistema público de saúde, o composto precisa concluir a fase 3 dos estudos clínicos — etapa que avalia a eficácia em amplos grupos de voluntários — e obter o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a relevância de integrar o processo de pesquisa desde as fases preliminares para dar celeridade às etapas institucionais.
“A vantagem é que a Fiocruz já participa ativamente dos estudos com esse memorando. Isso faz com que a gente tenha acesso mais rápido aos dados, possa apresentar mais rapidamente para a Anvisa e a Anvisa possa acompanhar, antecipadamente, os estudos clínicos. Isso pode fazer com que a gente tenha o registro mais rápido no Brasil”, afirmou Alexandre Padilha. O ministro frisou ainda que, mantidos os resultados positivos e a chancela regulatória, o objetivo é efetivar a transferência tecnológica para que a Fiocruz fabrique a substância no Brasil, abastecendo o SUS e exportando para a América Latina.
Avanço prático com o novo remédio contra o HIV
Diferente das opções atualmente disponíveis na rede pública — como a PrEP diária por via oral com Tenofovir e Entricitabina, a modalidade sob demanda e a avaliação em curso do injetável Cabotegravir pela Conitec —, a proposta do novo fármaco traz uma mudança expressiva na rotina do cidadão. “De uma maneira bem simples, ele impede que o vírus se replique”, explicou a diretora médica da MSD no Brasil, Márcia Abadi.
A comodidade no uso diário é o foco da mudança estrutural. “É um medicamento inovador, na medida em que é de uso oral, um tablete pequeno, com periodicidade mensal. A inovação vem no sentido de trazer mais comodidade para a pessoa que vai se prevenir contra a infecção pelo vírus HIV”, ressaltou o diretor de Relações Institucionais da MSD no Brasil, Rodrigo Cruz. O avanço representa não apenas soberania industrial em saúde, mas um impacto direto na qualidade de vida e na adesão do cidadão aos métodos preventivos do Sistema Único de Saúde.




















