Trabalhadores do Google protestam contra demissões por IA

Trabalhadores do Google protestam contra demissões por IA

Mais de 4,5 mil trabalhadores assinaram um abaixo-assinado em defesa de garantias trabalhistas. O movimento ocorre em meio a cortes de pessoal em grandes empresas de tecnologia que ampliam investimentos em inteligência artificial

Parul Koul durante coletiva de imprensa realizada em 16 de julho de 2026, em frente à sede do Google. Foto: Beth LaBerge/KQED.
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Mountain View, EUA – Mais de 4.500 trabalhadores do Google entregaram, em 16 de julho, uma petição na sede da empresa solicitando medidas de proteção antes da realização de demissões em massa. O documento, organizado pelo sindicato Alphabet Workers Union, foi direcionado ao CEO Sundar Pichai e reúne reivindicações como indenização garantida e a possibilidade de adesão voluntária a programas de desligamento antes de cortes obrigatórios.

A mobilização ocorre enquanto o Google amplia os investimentos em inteligência artificial (IA) e mantém uma política de redução de pessoal. Durante uma coletiva de imprensa realizada em frente à empresa, trabalhadores também relembraram as demissões em massa promovidas pela Alphabet em 2023.

A petição reivindica indenização garantida para trabalhadores afetados, opção de desligamento voluntário antes de qualquer demissão compulsória, possibilidade de conversão da indenização em licença remunerada prolongada e o fim de avaliações internas que, segundo o sindicato, estariam baseadas em metas de desligamento, e não no desempenho profissional.

A presidente do sindicato e engenheira de software do Google, Parul Koul, afirmou que a empresa possui condições financeiras para preservar empregos.

“Não haja dúvidas: esta é uma empresa que desfruta de um sucesso sem precedentes. Essas demissões e cortes não são decisões difíceis, mas sim uma escolha de colocar os lucros acima das pessoas que fazem esta empresa funcionar.”

Segundo Koul, o valor de mercado do Google, estimado em US$ 4 trilhões, quadruplicou nos últimos seis anos.

Os organizadores informaram que a petição foi entregue a um representante do escritório do CEO após tentativas frustradas de diálogo direto com a direção da empresa.

“Esta petição representa o maior retorno coletivo já apresentado pelos trabalhadores do Google sobre estabilidade no emprego.”

Durante o ato, manifestantes também entoaram palavras de ordem em frente às instalações da companhia.

Histórico de cortes em meio ao avanço da IA

Os cortes de pessoal no Google antecedem a entrega da petição. Nos últimos meses, a divisão Google Cloud promoveu demissões sem grande divulgação pública. Em 2025, a empresa também reduziu mais de um terço dos cargos de gerência intermediária responsáveis por pequenas equipes.

Em apresentações recentes de resultados financeiros, a diretoria da Alphabet classificou a inteligência artificial como uma das principais áreas estratégicas de investimento, indicando a continuidade da expansão dos recursos destinados ao setor.

Até o momento, o Google não respondeu oficialmente às reivindicações do sindicato nem comentou se o avanço da IA influencia sua política de demissões.

Casos semelhantes atingem outras empresas de tecnologia

A preocupação com o impacto da inteligência artificial sobre o emprego também alcança outras gigantes do setor.

Um dia antes da entrega da petição no Google, dezenas de trabalhadores da Meta ingressaram com uma ação judicial alegando que ferramentas de inteligência artificial teriam sido utilizadas para selecionar funcionários para demissão após pedidos de licença maternidade, afastamentos por deficiência ou outras licenças protegidas por lei. A empresa contestou as acusações e afirmou que elas “não têm mérito e não se baseiam em fatos”.

Nos últimos meses, a Meta anunciou aproximadamente 8 mil desligamentos.

Movimentos semelhantes também foram registrados em outras empresas do setor. A Oracle informou reduções de aproximadamente 21 mil postos de trabalho no último ano e declarou em relatório corporativo que a adoção da inteligência artificial pode resultar em novos cortes de pessoal. A Block reduziu cerca de 4 mil empregos, atribuindo parte da medida aos ganhos de eficiência proporcionados pela IA. Já a Microsoft anunciou recentemente a eliminação de aproximadamente 4.800 vagas, principalmente na divisão Xbox.

Cresce a preocupação entre trabalhadores

O avanço da inteligência artificial também tem provocado insegurança entre profissionais que atuam diretamente no desenvolvimento dessas tecnologias.

O engenheiro de software Dan Freedman, integrante do sindicato e responsável por ferramentas de IA voltadas ao design, relatou que passou a temer perder o emprego desde que o uso da tecnologia se tornou uma exigência de sua função.

“Tenho que me perguntar se serei o próximo.”

Segundo o Alphabet Workers Union, o sindicato já havia participado anteriormente da negociação de programas de desligamento voluntário que alcançaram mais de 70 mil trabalhadores. Agora, a entidade busca estabelecer garantias permanentes para futuras reestruturações, em um cenário em que o uso da inteligência artificial vem sendo acompanhado por sucessivas reduções de postos de trabalho na indústria de tecnologia.


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