Salário do paranaense cresce 20% acima da inflação em 8 anos

Salário do paranaense cresce 20% acima da inflação em 8 anos

Dados da PNAD Contínua compilados pelo Ipardes mostram que todos os setores tiveram ganho real. Agropecuária cresceu 30% e indústria, 18,6%

Ipardes compilou dados da PNAD Contínua do IBGE. Foto: Divulgação
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O trabalhador paranaense está ganhando mais do que há oito anos — e não é só impressão. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, compilados pelo Ipardes, mostram que o rendimento médio no Estado cresceu 20,1% acima da inflação entre o primeiro trimestre de 2018 e o primeiro trimestre de 2026. A média nacional no mesmo período foi de 14,2%.

Não é um fenômeno localizado. Todas as atividades econômicas registraram ganho real. A construção civil lidera com 41,7% de aumento, seguida pela agropecuária (30%), informação e comunicação (24,3%), outros serviços (23,4%) e indústria de transformação (18,6%).

Os números absolutos mostram a dimensão do avanço. Na construção civil, o rendimento médio mensal passou de R$ 2.708 para R$ 3.837. Na agropecuária, subiu de R$ 2.547 para R$ 3.312. Hoje, o salário médio pago no Paraná supera o nacional em todos os setores da economia.

“O aumento da renda do trabalhador paranaense é resultado dos significativos investimentos realizados pelo setor produtivo. Além disso, as obras de infraestrutura executadas pelo Governo do Estado tiveram papel importante nesse desempenho”, afirma Jorge Callado, diretor-presidente do Ipardes.

O desempenho não é isolado. O Paraná fechou o primeiro trimestre de 2026 com taxa de desemprego de 3,5% — a menor da história para o período e bem abaixo da média brasileira. O Estado também mantém o maior piso salarial regional do país, atualmente em R$ 2.105 para o grupo 1 e R$ 2.407 para o grupo 4, quase R$ 800 acima do salário mínimo nacional.

Os dados consolidam uma tendência que vem se desenhando desde o fim da recessão de 2015-2016. Enquanto o Brasil patina para recuperar o poder de compra dos trabalhadores de forma homogênea, o Paraná conseguiu distribuir ganhos reais por toda a estrutura produtiva — do campo ao escritório, do canteiro de obras à fábrica.

A pergunta que fica é se o ritmo se sustenta. Com a economia brasileira dando sinais de desaceleração no segundo semestre de 2026 e a inflação de serviços pressionando, segurar o ganho real dos salários pode ser o próximo desafio do Estado que aprendeu a pagar melhor.


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