Oslo, Noruega – Marius Borg Høiby, filho mais velho da princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, foi condenado nesta segunda-feira (15) a quatro anos de prisão pelo Tribunal de Oslo. A sentença abrange dois estupros e outras 34 acusações, entre violência doméstica contra a ex-companheira, ameaças, agressões físicas e infrações à lei de drogas.
O julgamento do herdeiro de 29 anos — enteado do príncipe Haakon, futuro rei da Noruega — durou semanas e expôs um histórico de violência que, segundo a promotoria, se estendeu por pelo menos seis anos, entre 2018 e 2024.
Høiby negou as acusações de estupro desde o início. A defesa sustentou que as relações foram consensuais. Mas o tribunal entendeu que as provas apresentadas pela acusação eram suficientes para condená-lo em duas das quatro acusações de estupro que enfrentava. Ele foi absolvido nas outras duas.
Em relação aos demais crimes, Høiby admitiu parcialmente a culpa. Reconheceu ter ameaçado e agredido a ex-companheira, causado lesões corporais e transportado drogas. A promotoria o descreveu como alguém “propenso a acessos de raiva, especialmente sob efeito de álcool ou drogas”.
A defesa anunciou que vai recorrer da sentença. Enquanto aguarda o julgamento do recurso, Høiby foi autorizado a cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
“Mantenho minha inocência em relação às acusações de estupro e confio que o tribunal de apelação examinará as provas com mais cuidado”, afirmou seu advogado, segundo a imprensa norueguesa.
O caso abalou a imagem da família real norueguesa, conhecida por sua discrição e proximidade com o povo. Mette-Marit, a princesa herdeira, não comentou publicamente a sentença. Marius não tem funções oficiais na realeza nem direitos à sucessão ao trono — Haakon tem dois filhos com a princesa, Ingrid Alexandra (21) e Sverre Magnus (20), que ocupam os lugares na linha sucessória.
Em um gesto raro, a corte real norueguesa emitiu uma breve declaração após o julgamento, afirmando que a família respeita a decisão da Justiça e que o caso é tratado internamente como uma questão privada.
A condenação de Høiby ocorre num contexto de endurecimento do debate público na Noruega sobre violência sexual e doméstica, e sobre como a lei trata réus de famílias poderosas. Para o sistema judicial norueguês, a origem do réu não foi atenuante nem agravante. A corte aplicou a pena dentro dos parâmetros previstos em lei para os crimes cometidos. E, ao menos por enquanto, o herdeiro da princesa dormirá em casa, com uma tornozeleira eletrônica, esperando que a corte de apelação veja o que a primeira instância não viu.


















