Foz do Iguaçu, PR – A Receita Federal deflagrou nesta terça-feira a Operação Fronteira Receita Federal 2026, apontada como a maior ofensiva integrada de vigilância e repressão em divisas terrestres, portos e aeroportos do país contra o contrabando, o descaminho e o tráfico de drogas, armas e espécies silvestres.
O lançamento oficial foi conduzido pelo secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, durante encontro do Comitê Executivo do Programa de Proteção Integrada de Fronteira (PPIF). Na ocasião, o dirigente agradeceu o apoio interinstitucional e apontou o cerco ao contrabando como uma linha central de enfrentamento às organizações criminosas.
“O secretário agradeceu a colaboração das diversas instituições e destacou a importância da proteção das fronteiras e do combate ao contrabando e descaminho no enfretamento ao crime organizado”, registrou o boletim oficial sobre a fala do gestor, que contou com a presença do coordenador-geral de Combate ao Contrabando e Descaminho, Raphael Eugênio de Souza.
A iniciativa mobiliza uma ampla rede de cooperação que envolve as Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, corporações estaduais e Guardas Municipais. Órgãos reguladores e ambientais como Ibama, Ministério da Agricultura, Anac, Anatel e Anvisa também participam, além de agências internacionais como a Organização Mundial das Aduanas e exércitos da Colômbia e do Peru.
Essa atuação conjunta busca fechar o cerco contra rotas ilegais que distorcem o mercado interno, estimulam a concorrência desleal contra produtores locais e introduzem no território nacional mercadorias nocivas à saúde pública. Os reflexos econômicos da fiscalização também se convertem na proteção de receitas fiscais destinadas ao financiamento de políticas públicas e sociais no Brasil.
Criada em 2021 com foco original nas fronteiras terrestres, a operação expandiu seu escopo para abranger aeroportos, portos, rodovias e centros de distribuição logística. Essa capilaridade ampliada já gerou impactos práticos durante os atos preparatórios, a exemplo de uma apreensão realizada na semana passada em Fortaleza (CE), onde agentes civis e fiscais interceptaram 146 quilos de entorpecentes — incluindo cocaína, crack e skunk — escondidos em uma transportadora.
Os números da edição anterior, realizada em 2025, ilustram a dimensão do problema enfrentado pelas autoridades na proteção do território nacional. Naquele período, a mobilização de mais de 500 servidores da Receita e de centenas de agentes parceiros resultou na retenção de R$ 160 milhões em mercadorias ilegais e na apreensão de 3,5 toneladas de drogas.
O balanço do ano passado também registrou a prisão em flagrante de 18 suspeitos e a retenção de 160 veículos empregados em esquemas criminosos. Entre os casos mais emblemáticos mapeados pela fiscalização figuram o desmantelamento de um laboratório clandestino de canetas emagrecedoras falsificadas em Natal (RN) e o flagrante em um edifício de 19 andares que servia como central de armazenamento para produtos contrabandeadas.



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