Santa Cruz de la Sierra, Bolívia – O governo boliviano colocou em marcha um plano de segurança ostensivo para tentar conter a expansão de facções brasileiras na fronteira com o Brasil. A medida combina a redistribuição de tropas locais com a tentativa de reatar a cooperação militar e financeira direta com os Estados Unidos.
O lançamento do plano Frontera Segura 2.0 ocorreu na praça 24 de Setembro, centro de Santa Cruz, com divergência entre os números anunciados. Enquanto jornais e redes de TV registraram a transferência de 250 agentes para as divisas, a pasta ministerial formalizou a formatura de 230 policiais recém-incorporados.
As ações estão detalhadas na cobertura oficial divulgada pelo Ministério de Governo da Bolívia, que prevê novos contingentes a cada 45 dias para cobrir Santa Cruz, Beni e Pando.
A mobilização policial mira municípios como Cobija, Guayaramerín, San Matías e Puerto Suárez. Essas localidades concentram passagens clandestinas, onde o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) disputam o controle do escoamento de pasta-base e armamento pesado.
Para além do envio de agentes, o ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, abriu conversas com representantes norte-americanos para montar duas unidades de elite. A proposta prevê que Washington forneça instrução tática, tecnologia e armamento para equipes baseadas em Santa Cruz e Beni.
O ministro justificou a busca por recursos externos apontando o déficit estrutural das forças locais. Ele também pressionou governadores e prefeitos a colocarem verba direta na infraestrutura policial, em meio a cobranças da oposição regional por respostas aos índices de violência.
A tensão política ficou evidente na manifestação da governadora em exercício de Santa Cruz, Paola Aguirre. Representante de um dos principais redutos da oposição conservadora ao governo central, Aguirre cobrou viaturas e equipamentos, apontando cerca de 13 mil denúncias de crimes graves no departamento ao longo de seis meses.
O comandante-geral da corporação, Adrián Álvarez, relatou a captura recente de 65 operadores de quadrilhas transnacionais, com expulsões imediatas. Álvarez citou a prisão, em San Ignacio de Velasco, de membros do PCC que gerenciavam entrepostos de drogas e esquemas de lavagem de capitais na divisa.
O envio de reforços dá andamento ao acordo firmado em agosto de 2026 com o Brasil, com detalhes disponíveis no comunicado sobre a cooperação binacional de fronteiras. A estratégia envolve troca de informações de inteligência com a Polícia Federal brasileira e postos conjuntos de fiscalização para deter fugitivos em áreas desprotegidas.



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