Español Português
AGORA

Índia Armelau é processada por incentivar perseguição a operários

Procuradoria do Trabalho processa deputada bolsonarista por discriminação ideológica contra assalariados e exige defesa do voto livre nas redes.

Foto: Divulgação/PL Mulher

Rio de Janeiro, RJ – O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) moveu uma ação civil pública contra a deputada estadual reeleita Índia Armelau (PL). A medida contesta a postura da parlamentar de extrema-direita, ligada à base de Jair Bolsonaro, que usou suas redes para pedir a demissão de trabalhadores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A investida judicial começou logo após o término do pleito presidencial. Em vídeo e texto divulgados na internet, a parlamentar convocou o empresariado a vasculhar a vida pessoal e a posição política de seus próprios funcionários para justificar dispensas por motivo ideológico.

“Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez ‘L’. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários.”

O MPT identificou na fala uma tentativa explícita de submeter os trabalhadores ao poder econômico dos patrões, usando o medo do desemprego como ferramenta de controle social. Segundo os procuradores, a mensagem fere o direito ao voto secreto e à livre manifestação ao estimular crimes no cotidiano das empresas.

“Estimula o assédio eleitoral e a discriminação por convicção política.”

A ação pede que a Justiça do Trabalho impeça a deputada de continuar promovendo perseguições políticas no ambiente corporativo. A procuradoria exige que a parlamentar interrompa qualquer incentivo a represálias contra trabalhadores devido a escolhas eleitorais.

“Deixe de incentivar empregadores a discriminar, demitir ou perseguir pessoas.”

Entre as exigências do processo, o órgão cobra que a deputada divulgue nas redes sociais, em no máximo 24 horas após decisão da Justiça, uma mensagem formal em defesa da liberdade democrática no trabalho.

“Empregados podem escolher livremente seus candidatos.”

Se descumprir as determinações, a parlamentar poderá pagar multa diária de R$ 100 mil. A ação também cobra o pagamento de R$ 500 mil por dano moral coletivo, valor destinado a reparar o impacto público da perseguição política promovida contra os assalariados.

Após a reação do Ministério Público, a parlamentar tentou recuar publicamente das demissões imediatas. Ela alegou que apoiava uma mobilização contra a contratação de pessoas de esquerda, defendendo abertamente que patrões conservadores usem filtros ideológicos para barrar quem diverge do seu campo político.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

Receba notícias no WhatsApp do Fronteira LivreReceba notícias no WhatsApp do Fronteira Livre

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *