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Lula chama de vergonhosa fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA

Fuga de senador investigado para solo norte-americano aprofunda crise institucional e confronto da cúpula bolsonarista com o Judiciário.

Em ato de aniversário, presidente reeleito acusou rival de desrespeitar as urnas e criticou submissão aos Estados Unidos. Créditos: Valter Campanato/Agência Brasil

Brasília, DF – O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva classificou nesta terça-feira (27) como vergonhosa a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos. Durante discurso para militantes e apoiadores na celebração de seus 81 anos, o petista rebateu a postura do adversário de extrema direita, derrotado no segundo turno da eleição presidencial.

A saída do país ocorreu logo após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado determinou a entrega imediata dos passaportes do parlamentar e impôs proibição expressa de deixar o Brasil, em meio a investigações que cercam a cúpula do bolsonarismo. Flávio embarcou com a esposa e as duas filhas, ignorando a ordem judicial.

Lula criticou a conduta do senador e apontou desrespeito às regras democráticas e às instituições de controle:

“Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso.”

O presidente relembrou o confronto sobre a quebra mútua de sigilos bancários e fiscais, tema central que marcou a disputa contra o grupo bolsonarista na reta final da campanha eleitoral:

“Eu tentei que ele provasse que era honesto entregando papéis, e ele não entregou. Demonstração de que esse cidadão foi a figura mais mentirosa que vi no planeta Terra. Não tem compromisso com a verdade. É impressionante a desfaçatez dele.”

Para o petista, a escolha de buscar refúgio em solo norte-americano é uma quebra direta de compromisso com a soberania popular e com a própria base eleitoral que apoiou a chapa derrotada:

“Isso é uma falta de respeito com eleitores dele. Falta de respeito que ele teve com a democracia brasileira. Eu perdi em 1989. Fui lamber minhas feridas e fiquei aqui. Eu perdi em 1994. Fui lamber minhas feridas e fiquei aqui. Eu perdi 1998 e fiquei aqui.”

O presidente também resgatou a sua conduta durante a Operação Lava-Jato. Ele afirmou que, mesmo diante de forte cerco judicial e político na época, permaneceu em território nacional e entregou o passaporte quando a Justiça determinou a medida.

Ao final, Lula rebateu o falso nacionalismo mobilizado pela extrema direita brasileira, denunciando o alinhamento de subserviência mantido pelos bolsonaristas com grupos de poder nos Estados Unidos:

“O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira pátria dele é lamber botas dos Estados Unidos.”

A fuga do parlamentar aprofunda o confronto direto entre a oposição investigada e o STF, escancarando a estratégia de lideranças da extrema direita de driblar a responsabilização judicial no exterior após a derrota eleitoral.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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